Deu no Josias,
""Eu nunca falei que iria ganhar a eleição no primeiro turno. Por modéstia, eu nunca falei. Nunca falei por respeito. Mas quero dizer para vocês: nós vamos vencer essas eleições domingo", disse Lula, em comício realizado neste domingo em Sorocaba (SP). "Se alguém achar que a eleição presidencial vai para o segundo turno, vai ter que esperar para concorrer em 2010. Porque esta eleição nós matamos no dia 1º de outubro."
Discursando para cerca de 4.000 pessoas, o presidente afirmou que "dia 1º de outubro é dia da onça beber água”. E disse estar sequioso: “Essa oncinha está com sede." Desdenhou das denúncias que assediam o PT e o Planalto: "Podem fazer denúncia. Façam o que quiser. Não tem problema. Nós vamos ganhar com a cara limpa."Neste ponto, meteu Jesus no meio da contenda. Só para realçar que o erro de discípulos não desmerece a obra do mestre. "A gente poderia pegar a história e iríamos perceber que, numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo." Noves fora Pedro, que o negou três vezes, Jesus, de fato, só teve um traidor. Mas a comparação de Lula soa, digamos, imprópria.
Primeiro porque o filho de Deus, onipresente como o Pai, a tudo via e de tudo sabia. Segundo porque, na santa ceia petista, a quantidade de Judas é bem maior. Aos 40 da denúncia do procurador Antonio Fernando de Souza (entre eles vários grão-petistas e ex-ministros) veio somar-se a meia dúzia de compradores de dossiê. Terceiro porque a traição dos dias que correm vem custando bem mais do que trinta dinheiros.
Lula faz bem em esgrimir otimismo. É esse o papel de um candidato quando fala aos seus eleitores. De resto, apesar dos pesares, ele vai conseguindo, por ora, caminhar sobre o mar de denúncias com desenvoltura divina. Mas o favoritismo de ontem, vigoroso e acachapante, já não é tão vistoso. E a vitória, se vier, pode converter-se num triunfo de Pirro.
O eventual segundo mandato avizinha-se como uma quadra de questionamentos e turbulências. Um cenário bem mais deteriorado do que aquele verificado em 1º de janeiro de 2003, quando Lula tomou posse falando de coisas como "reformas", "energia ético-política", "pacoto social" e "combate à corrupção". Pressione aqui para rememorar um trecho do discurso de posse.
Em outro comício, na Paraíba, o principal adversário de Lula, Geraldo Alckmin, também discursou em timbre otimista. "A campanha tem crescido em todo o país, vamos para o segundo turno", afirmou.
Alckmin cobrou pressa na apuração do dossiêgate: "Faz uma semana [que petistas foram presos com R$ 1,7 milhão em São Paulo] que as denúncias sobre a compra e venda de um dossiê apareceram e nada foi esclarecido até agora. De onde veio o dinheiro? É óbvio que as pessoas presas não tinham esse dinheiro. Como o dólar entrou no Brasil?"
O presidenciável tucano tem razão em suas cobranças. Há muito por investigar. Para o eleitor, seria extraordinário se as interrogações virassem um imenso ponto final antes de 1º de outubro. Inclusive a imensa interrogação que ronda um personagem que, a propósito, também tem nome bíblico: um tal de Abel, cuja proximidade com o tucanato a Polícia Federal e o Ministério Público esquadrinham com uma disposição digna de Caim."
Comentário meu: Nosso presidente a cada dia surpreende. Comparar-se a Cristo é no mínimo (pra não dizer outra coisa) de uma boçalidade imensa. Só nos resta rezar: "Pai, livra-nos desse cálice!"
9.25.2006
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Um comentário:
Esse homem é muito pretencioso em achar que vai vencer as eleições, e colocar o nome de Jesus em suas patifarias. Ele está dando ao povo brasileiro o atestado de idiota quando fala que vai ser eleito.
Adriane
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