10.29.2006

Lula reeleito

O dia 29 de outubro de 2006 trouxe um fato que marcará este país por muitos e muitos anos. A reeleição de Lula da Silva, como presidente do Brasil. Os eleitores reconduziram ao cargo um presidente que promoveu um retrocesso de pelo menos 50 anos para o país. A partir deste instante, as leis, a ética e os bons costumes serão apenas um mero detalhe insignificante. Após tanto descalabro (mensalão, desvios no Banco do Brasil de cifras milionárias, desvios de milhões de reais de cartilhas não produzidas, e por aí vai) o povo mostrou ao mundo que é indiferente e completamente tolerante com a corrupção que grassa nosso país e que destrói o destino de milhões de brasileiros. O sujeito que furta algo em seu trabalho, que fura filas, que suborna um fiscal, um guarda, que sonega impostos, se sentirá ainda mais legitimado em seus atos, já que o exemplo maior, é tolerante com a criminalidade de colarinho branco, o que por osmose, passa a ser assimilado por todos os que tendem a praticar atos de corrupção. Para aquele que ainda acredita em justiça, na ética ou na moral, resta hibernar por quatro anos ou esperar pela justiça divina. De qualquer forma, a espera será longa.

Marcello Castellani

10.25.2006

Frase da semana

A embriaguez não cria vícios. Apenas os coloca em evidência.

(Sêneca)

10.23.2006

Será que tem cabimento?

Reportagem publicada na edição do jornal Correio Braziliense do dia 12 deste mês revela que uma comissão criada por ato conjunto dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), está concluindo proposta que abre caminho para a fixação dos salários dos deputados e senadores em R$ 24,5 mil, igualando ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a reportagem, a cúpula do Congresso só pretendia tornar pública a proposta após o segundo turno das eleições. Até lá o assunto seria mantido em sigilo absoluto.



Comentário meu: Uma casa que não funciona para nada, verdadeiros parasitas, quando não corruptos contumazes, em sua maioria milionários, fazem vista grossa para os anseios da população e ainda por cima pleiteam para si próprios aumentos de salários em quase 100%. Será que este país tem jeito?

Como Lula será lembrado

Lula, nos quatro anos iniciados em 2003 e agora encerrados, como será lembrado pela posteridade? Pela expansão do Bolsa-Família? Pelos escândalos de corrupção? Pelo medíocre crescimento econômico?
O Lula que veio de baixo é, de certa forma, um mito, como observa o cientista político Leôncio Martins Rodrigues. "Lula não é pobre desde que entrou para o sindicato, nos anos 70. Já tivera uma ascensão social, mas conseguiu manter a imagem de humilde." A origem pobre do presidente, além de arma de propaganda, é usada como escudo contra adversários. Faz com que as críticas sejam classificadas como preconceito dos poderosos.

"Lula usa um discurso de vítima de um complô invisível, das elites, para acobertar fatos incômodos como a corrupção de seu partido", diz a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, da USP. "É a retórica populista de salvador dos pobres e vítima dos ricos."

Um irmão ético

“Nunca mais voto no PT’’. A frase, dita por um mestre-de-obras de 52 anos, enquanto tentava pela quarta vez um atendimento médico para a esposa no Hospital Municipal de Mongaguá, poderia passar desapercebida, não fosse um fato peculiar. A crítica partiu de Jachson Ignácio da Silva que, além de ser irmão do presidente da República e candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores, Luiz Ignácio Lula da Silva, foi um ativo defensor da legenda desde sua fundação, há 25 anos.

Com as mãos sujas de cimento, como de costume, o irmão do presidente repetiu ontem, já em casa, todo o discurso que fez durante os quatro dias que passou na porta da unidade de saúde (entre o domingo da eleição e a quarta-feira da semana passada) tentando agendar uma consulta para a mulher, Lusenilde Albuquerque da Silva.

Ao criticar o irmão para cada pessoa com quem conversava na frente do hospital, mostrando-se indignado com a política social adotada pelo PT e com as denúncias de corrupção que pipocaram durante a gestão de Lula, Jachson acabou fazendo uma campanha indireta ao candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin, em quem votou no primeiro turno. ‘‘Mas o meu motivo de não votar no PT, que está aí, no presidente, é porque sou contra a reeleição,’’ justificou-se.

O irmão de Lula assegurou que esta posição contrária à reeleição sempre esteve na boca dos petistas. ‘‘Mas quando chegam no poder, não querem sair mais. São contra o reinado, mas parece que viraram rei,’’ condenou. O mestre-de-obras reforçou que, mesmo que o irmão estivesse fazendo um governo nota 10, não votaria nele. ‘‘Sou contra o continuísmo,’’ disse Jachson, ‘‘deveríamos experimentar coisa nova. Na minha opinião, democracia é isso’’.

Uma das razões que ele citou para justificar tal posição é o uso da máquina administrativa em campanhas. ‘‘Você vê o dinheirão do Governo que ele (Lula) está gastando para estar voando, fazer comício? Às minhas custas! Avião presidencial é para uso do presidente, em serviço da Presidência da República, não de candidato’’.

Para ele, o correto seria o irmão se afastar do cargo antes do início das disputas. ‘‘E vá trabalhar com o seu dinheiro e não com o dinheiro do povo,’’ afirmou.

Compra de votos
Jachson vê no Bolsa-família uma compra indireta de voto. ‘‘A maioria da classe pobre, que está numa pindaíba há muitos anos e continua no Governo do PT, ele conseguiu prender pelo Bolsa-família e pelo vale-gás. O pessoal está com medo do Geraldo (Alckmin) entrar e acabar com isso’’.

Com uma visão segura de que tais benefícios continuarão existindo, independentemente do resultado das urnas, o mestre-de-obras reclamou do fato do irmão não deixar isso mais claro para o povo. ‘‘Ele deveria falar que, qualquer um que entrar, não vai acabar (com o Bolsa-família)’’.

Ao revelar ter votado em Geraldo Alckmin no primeiro turno, Jachson disse que não votou em candidatos do PT para os demais cargos porque entende que ‘‘os que não roubaram, foram coniventes’’. Como exemplo dos petistas que seriam idôneos, mas que erraram por terem compactuado com os demais, citou Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante.

‘‘O PT antigamente só jogava pedra. Desta vez, os que foram contra alguma coisa, eles põem pra fora’’, completou, destacando Heloísa Helena e Cristóvam Buarque.

Membro do diretório do PT em Mongaguá, Jachson — que já disputou, inclusive, duas eleições para vereador na Cidade — salientou que, para ele, ‘‘o PT está riscado’’. Disse estar entristecido com os rumos do partido, onde enxergava políticos diferentes.

‘‘Hoje, vejo que é tudo igual e não quero mais saber do PT’’. Sobre as afirmações feitas pelo irmão, de que nada foi escondido e tudo, apurado, ele rebateu dizendo que ‘‘se não fosse a imprensa, nós jamais saberíamos dessas coisas. Felizmente, ela ainda é independente’’.

Jachson lamentou ainda que nomes envolvidos em escândalos tenham sido eleitos. ‘‘A maioria perdeu, mas alguns estão na Câmara Federal e vamos ver a cara deles de novo no ano que vem. Espero que a Justiça continue apurando e processando eles’’.

Conselho de irmão

Conselho de Jachson para o irmão Lula da Silva: "Vá trabalhar com o seu dinheiro e não com o dinheiro do povo".

Nem o irmão de Lula confia nele

O irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, declarou que vai votar no seu adversário, o tucano Geraldo Alckmin, no dia 29 de outubro.
Os escândalos de corrupção que ocorreram no governo do PT também foram fundamentais para a sua mudança partidária. "É uma falcatrua atrás da outra. O PT me deixou envergonhado. Era a minha esperança, não tinha o direito de errar, como fizeram Delúbio, Zé Dirceu, Palocci. Quando esfria uma, aparece outra".

A críticas de um dos 15 irmãos vivos do presidente não param por aí. Para ele, algumas das principais bandeiras do governo Lula, como o Bolsa-Família e o índice de diminuição da pobreza no Nordeste, não são fundamentais para o povo brasileiro. "O Brasil não é só Nordeste. Além disso, o Bolsa-Família é uma vergonha para qualquer governo. O povo não quer esmola, quer trabalho, casa para morar, escovar os dentes, e tudo isso. Não apenas arroz e feijão", disse o irmão de Lula.

Questionado se um pouco da sua mágoa com o parente é pelo fato de ser de uma origem humilde e não ter qualquer tipo de ajuda direta de Lula, Jachson declara com firmeza: "não é esse o problema. Ele tem que cuidar do Brasil. Aqui somos cada um por si. Todos somos trabalhadores", ressaltou Jachson, que sempre votou em Lula.


Comentário meu: Se nem o próprio irmão acredita em Lula, quanto mais eu!

10.21.2006

O desperdício destruindo o país

Educação no Brasil

Durante o primeiro turno, fomos confrontados com o único candidato que tocou no maior problema deste país em todos os tempos. A educação. Infelizmente, o tema não sensibiliza o eleitorado brasileiro, acostumado e submergido na ignorância. No Brasil, passado e presente se misturam, sendo que o futuro passa a ser totalmente previsível, caso seja eleito um ou outro no segundo turno das eleições brasileiras. Apesar de todo o quadro, e tal qual o Senador Cristovam Buarque, ainda insisto que o maior mal que pode ser feito a um ser humano, é privá-lo do verdadeiro conhecimento, da leitura, do acesso às artes e da riqueza que só a educação pode promover a uma pessoa, a um grupo e a uma nação.


Marcello Castellani

10.17.2006

A reeleição de Lula

Se Lula for reeleito, você acha que o Brasil ficará melhor ou pior do que se encontra hoje?
Opine

Marcello Castellani

10.12.2006

Deu no Estado de São Paulo

"Jackson Inácio da Silva, um dos irmãos do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já definiu seu voto. Ao contrário do que se poderia imaginar, o mestre de obras de 52 anos - nove a menos do que o irmão presidente - vai repetir no dia 29 o que já fez no primeiro turno: votar em Geraldo Alckmin (PSDB).


Dizendo-se decepcionado com a gestão do irmão, 'que não vê desde a posse (em 1º de janeiro de 2003), Jackson afirmou que a administração de Lula é marcada pela escolha de uma equipe ruim.


'Ele é muito mal assessorado. Começou errando quando não soube escolher sua equipe', avaliou. 'Não sou só eu quem está decepcionado com o governo Lula. É o Brasil inteiro', prosseguiu."



Comentário meu: Se nem o irmão confia ou acredita em Lula, o que podemos esperar deste presidente em um segundo turno?

10.10.2006

Caixa preta

Em um post reproduzido mais abaixo, vemos uma explicação perfeita de que a ética, e em particular a ética petista se perverteu completamente, se é que um dia ela realmente era ética de fato.
É o caso dos cartões corporativos da presidência. Num governo eleito a priori em virtude de seu apelo moralista e pseudo-ético (como agora sabemos) blindar os gastos feitos com esses cartões é alarmante. Cartões corporativos da presidência são caixas pretas em que o governo fica em alerta total quando se fala nisso, vide a reação de Lula no debate. Saques vultosos em dinheiro vivo, que ninguém consegue (na realidade não querem)explicar, de valores de mais de 1 milhão de reais!
Extrapolando um pouco, quem sabe se desses saques algum valor não foi para pagar o dossiê "pelocano"?


Marcello Castellani

10.09.2006

Quer votar de novo?

“Aqueles que votarem pela segunda vez no maior farsante de toda história política brasileira, passarão de eleitores a cúmplices conscientes da lamentável desagregação ética e moral que assola o país”.
Carlos Vereza (ator)

De um brasileiro anônimo

Bem... Até hoje nunca tivemos um governo que governasse para os brasileiros. Veja só.: De tudo que produzimos, o melhor é destinado para a exportação e nós ficamos com os de menor qualidade e porque não dizer com os que possuem defeitos de fabricação. Apezar disso, não pagamos o menor preço não, muito pelo contrário. Pagamos caro por produtos que são considerados de segunda e até terceira categoria e assistimos os estrangeiros usufruir de nossos produtos de primeira linha a preços bem menores aos que pagamos aqui.
Somos autosuficientes em petróleo: nossa gasolina é de péssima qualidade e a mais cara do mundo. A parte que exportamos, pode ser adquirida nos paizes vizinhos, por preços bem menores.
Os impostos a que somos submetidos (carga tributária) é a maior do mundo e os serviços que recebemos em troca são os piores. E quando recebemos algumas migalhas do poder público, já estamos doutrinados a agradecer a quem se denomina que foi o autor de tal caridade.
Pelo acima exposto, podemos concluir que somos preparados para nunca sermos nada e a agradecermos o pouco que recebemos de volta. A pressão para que a baixa-estima seja reinante em nosso meio é tanta que achamos normal os salários reinantes nos altos escalões de "nossos empregados", ou como queiram, nossos governantes. Assistimos com apatia o Judiciário se conceder um aumento salarial que elevou de 21 para 25 mil reais os salários dos juízes. Estes mesmos juízes acham que o salário mínimo de 350 reais é ótimo para a população.
Pelas pesquisas eleitorais ao que parece o povo brasileiro, em sua baixa-estima, está aprovando os Sanguesugas, os dolares na cueca, as cartilhas desaparecidas, os mensalões etc...
Para melhorar a nossa auto-estima, muita coisa tem que ser mudada em nosso País.

Esqueceram do Delúbio?

Só para lembrar, seguem algumas das frases que constam da defesa escrita que Delúbio Soares apresentou ao diretório nacional do PT:

- “Com exceção da campanha presidencial de 2002, jamais vi outra cujos custos fossem compatíveis com os declarados à Justiça Eleitoral”;

- "O PT foi criado para fazer revolução com inclusão social e na defesa da ética com pureza que sabíamos que não existia porque sabemos que desde o começo tem caixa dois";

- "É óbvio, para aqueles que não querem adotar a hipocrisia como razão de viver, que recursos destinados ao pagamento de despesas não-contabilizadas não poderiam ser registrados na contabilidade do partido, independentemente da minha vontade";

- "Respeito a ingenuidade. Não sei, no entanto, de onde imaginavam que o dinheiro viria -se do céu, num carro puxado por renas e conduzido por um senhor vestido de vermelho".

Tive um sonho

Eu tive um sonho. Sonhei que vivíamos em um país justo, onde as pessoas eram valorizadas pelo que eram e não pelo que tinham. Sonhei que o governo atinha-se ao seu lugar: prover segurança, saúde e educação aos nativos desta terra e cumpriam seu dever com o orgulho de um patriota e a visão de estadistas. Sonhei que todos trabalhavam incansavelmente para o desenvolvimento do país e eram recompensados devidamente por isto. As crianças podiam brincar nas ruas sem medo de morrerem com uma bala perdida ou serem cooptadas pelos donos do narcotráfico, já que isto não existia mais. Sonhei que a única vontade de todos nós era de sermos e vivermos felizes...

Nem Alckmin nem Lula tem projetos para o país

O jurista e conselheiro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Fábio Konder Comparato, afirmou hoje que houve falta de discussão sobre propostas no debate da noite de ontem entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

"Estamos caminhando às cegas a curto prazo, ou seja, levantamos vôo, não temos radar e não temos transponder [antena do sistema anticolisão de aviões modernos]; a qualquer momento este país vai colidir com algum obstáculo não visto, não previsto, e será fatal para o desenvolvimento nacional", afirmou Comparato, na capital federal.

O jurista afirmou que "é preciso saber se realmente os candidatos têm algum projeto para o Brasil ou continuam tendo projeto para eles próprios, seus partidos e seus agrupamentos políticos".

Para Comparato, ambos os candidatos demonstraram que "não têm programas, não têm projetos, não têm idéias, mas têm um apetite de poder estupendo".

Até notas frias!

"Pelo menos quatro saques em dinheiro, com cartões corporativos da Presidência da República, foram justificados com notas frias, assegura o senador Álvaro Dias."

O que há por trás desses gastos dos cartões?

A pergunta que fazemos é: o que há por trás nos gastos com cartões corporativos do governo lulista que os torna nesta administração assunto proibido, uma verdadeira caixa preta?

Eles não se cansam

Primeira-dama: Maria Emília Évora cuida das despesas de Dona Marisa. Suas faturas foram de R$ 441 mil entre janeiro e agosto de 2004 – R$ 198 mil sacados em dinheiro vivo!

O que mais inquieta os ministros do TCU, no entanto, é o volume de saques em dinheiro vivo feito por funcionários do Planalto através dos cartões corporativos. Entre janeiro e agosto de 2004, de um total de R$ 3,2 milhões em faturas, esses funcionários sacaram R$ 2,2 milhões em espécie – o outro R$ 1 milhão foi usado para pagamento de despesas, aquela que deveria ser a função primordial dos cartões. Este ano, a prática continua disseminada, mantendo a proporção. Dados do Siafi mostram que, dos R$ 10,2 milhões movimentados até a última quinta-feira, R$ 6,8 milhões foram retirados em dinheiro vivo. O valor dos pagamentos efetuados diretamente com cartões é a metade, R$ 3,4 milhões. Ou seja, os saques em dinheiro vivo representaram, em média, dois terços das faturas dos cartões.

Só falta colocarem os narizes de palhaço nas nossas caras. O PT não perdeu tempo no governo. Tudo o que FHC fez (segundo eles) eles tem feito pior.

Cartões corporativos da presidência

Alckmin tocou um ponto nevrálgico da administração petista. Os gastos com os cartões corporativos da presidência. Tais gastos, pasmem, encontram-se sob espesso manto de sigilo (totalmente ao contrário de tudo quanto o PT um dia pregou em seus 25 anos de existência). Quando um administrador público se irrita em expor os gastos feitos por ele e pagos com nossos recursos, certamente há alguma coisa errada acontecendo. Vejam só vocês:

"Só há um indicador no Brasil que cresce na mesma velocidade da dívida pública: os gastos do gabinete da Presidência da República. Desde 1995, quando Fernando Henrique Cardoso chegou ao poder, as despesas vinculadas ao presidente cresceram dez vezes, num ritmo médio de 10% ao ano. Na era Lula, porém, a expansão tem sido mais acentuada. Entre 2002, último ano da gestão FHC, e o fim 2004, o aumento das despesas será de 150%. Tais dados foram coletados com exclusividade para a DINHEIRO por um grupo de consultores que tem senha especial de acesso ao Sistema Integrado de Administração Financeira, o Siafi. É lá que estão detalhadas todas as despesas do Orçamen-
to da União. Descobriu-se que, em 1995, o gabinete presidencial gastou R$ 38,4 milhões. Em 2003, primeiro ano de Lula, as despesas alcançaram R$ 318,6 milhões. Para este ano, está previsto o desembolso de 372,8 milhões – ou R$ 1,5 milhão por dia útil de trabalho. Até o dia 2 de julho, o gabinete tinha gasto R$ 120,3 milhões."

Continuando:

"LULA E SEU GABINETE, EM BRASÍLIA: Quando ele assumiu, o gasto anual
era de R$ 143,2 milhões. Neste ano, a despesa
incluída no Orçamento
é de R$ 372,8 milhões
A principal causa da evolução das despesas é o inchaço da máquina pública. Itamar Franco entregou o Palácio do Planalto com 1,8 mil funcionários. FHC, por sua vez, enxugou-o para 1,1 mil. No governo Lula, a administração cresceu – e muito. Há neste momento 3,3 mil funcionários trabalhando diretamente na Presidência. No Palácio da Alvorada, existem outros 75. Há um mês, Lula assinou um decreto, de número 5.087, aumentando de 27 para 55 seus assessores especiais diretos. “Pairam sérias dúvidas sobre a qualidade, a prioridade e até mesmo a legalidade dessas despesas presidenciais”, diz o deputado Augusto Carvalho, do PPS do Distrito Federal, chefe da equipe que levantou as despesas do gabinete presidencial para a DINHEIRO. “Além de crescentes, essas despesas estão cada vez mais obscuras”. Uma das descobertas da equipe que entrou nas entranhas do Planalto diz respeito ao uso crescente dos cartões de crédito corporativos para cobrir as despesas das autoridades, utilizando o nome de funcionários do Planalto, que ganham entre R$ 3 mil e
R$ 5 mil (leia quadro ao lado). Em 18 meses, já foram gastos R$ 6,4 milhões com os cartões. Procurados insistentemente pela DINHEIRO ao longo da semana, assessores do Planalto, da Secretaria de Comunicação, da Casa Civil e o porta-voz presidencial não responderam as questões formuladas pela reportagem.

A máquina presidencial vem inchando por conta de atribuições que vêm sendo colocadas no Planalto. Lula decidiu alocar em seu orçamento sete diferentes ações
de governo, como as políticas de comunicação, segurança alimentar e promoção
da ética pública. A ação mais cara, contudo, é o chamado apoio administrativo.
Trata-se da gestão direta do Palácio do Planalto, do Alvorada e da Granja do Torto. Para este ano, o Orçamento é de R$ 151,2 milhões. Do total, R$ 140,8 milhões
estão sendo gastos na administração dos palácios. Também estão sendo gastos
R$ 3,8 milhões para a remuneração de militares que fazem a segurança do presidente e de sua família – há equipes em São Paulo, Florianópolis e Blumenau cuidando dos filhos de Lula.

Caso as contas do Planalto sejam vistas sob a ótica do Tesouro Nacional, elas atingem R$ 2,6 bilhões. “É a quantia consumida no período por todos os programas sociais, como o Bolsa Família e o Fome Zero”, lembra o economista Ricardo Bergamini, que realizou o levantamento no Tesouro. “É mais do que os R$ 2,2 bilhões liberados para a reforma agrária.” Isso ocorre porque Lula atrelou ao gabinete órgãos como as Secretarias da Pesca e da Mulher. “Isso mostra uma total inversão de prioridades”, critica o senador Arthur Virgílio Neto, que administrou as despesas do Palácio no governo FHC. “Onde tem gente demais, sobram intrigas palacianas.”



OS MISTERIOSOS CARTÕES DE CRÉDITO DO PLANALTO


OS TITULARES DOS CARTÕES: Despesas das autoridades são feitas em nome de funcionários do Palácio, como Clever Fialho e Anderson Aguiar

As compras começaram modestas, mas logo tomaram volume. Já em 2000, primeiro ano em que o governo FHC adotou os cartões de crédito corporativos, as faturas somaram R$ 761,7 mil. Em 2002, quando entregou o poder, estavam em R$ 2,4 milhões. Mas com a chegada de Lula ao Palácio do Planalto o uso dos cartões de crédito virou uma febre. Em 2003, o governo gastou R$ 3.811.259,48 com cartões, 37,5% a mais do que no ano anterior. Este ano as compras estão ainda mais aceleradas. Até 15 de junho, dia em que a Secretaria de Administração da Presidência da República pagou as últimas faturas ao Banco do Brasil, os gastos há somavam exatos R$ 2.665.977,20. Nesse ritmo, o Planalto chega a R$ 6 milhões até o final do ano."


Qual a explicação para essa dilapidação do erário público? Em que, tanto eles gastam o nosso suado dinheiro vindo dos impostos? De cada saco de açúcar que você compra, quase 50% são impostos. De um veículo 49% é imposto. TUDO quanto você compra, usa ou usufrui paga uma carga de impostos absurda, disparatada e imoral. E quem utiliza esse dinheiro são aqueles que um dia se disseram detentores de uma ética ilibada...
Pode isso?

De Lula a pouco

"- Quem viu o debate ontem percebeu que o cidadão (Alckmin) é um samba de uma nota só (...) Confesso a vocês que ontem foi o dia mais triste de político que vivi (...) Ontem pensei que não estava na frente de um candidato, pensei que estava na frente de um delegado de porta de cadeia."


Alguém já viu delegado de porta de cadeia? Eu já vi advogado de porta de cadeia. O Lula está transtornado até agora pela surra que levou de Alckmin!

Desabafo de Alexandre Garcia

Audiência

Posso não ter audiência, mas que me divirto à bessa isso é um fato!

Você sabe o que significa?

Você já deve ter ouvido a expressão: "mão na merda"
Agora, a mesma expressão tem um novo sinônimo: "mão na betti"!

"Política não se faz sem meter as mãos na betti" significa justamente o que você leu logo no início! O PT também é cultura!!

Youtube

Não importa a cor partidária

A idiotização do brasileiro favorece a quem?

Sou brasileiro e acredito no futuro do país

Vamos mudar o país

Faça um compromisso consigo mesmo, pela mudança deste país. Não reeleja quem não tem compromissos com o Brasil, com você, seus filhos e netos.

Eleições 2006

Você, brasileiro, que torce por seu país, torce por sua família e seus filhos, não pode deixar de se questionar sobre o que é melhor para o Brasil. Assista o vídeo a seguir e tire suas conclusões.

Petróleo cai no mundo

O preço do petróleo voltou a cair abaixo dos US$ 60 nesta sexta-feira, após a recuperação de ontem provocada pelo anúncio de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) fará uma reunião extraordinária neste mês, possivelmente para reduzir sua cota oficial de produção.

Leia em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u111514.shtml

O interessante é que o custo do barril de petróleo cai lá fora e aqui dentro os preços se mantém estáveis. O governo Lula insiste tanto na questão da auto-suficiência em petróleo pela Petrobras, que na prática não se traduz em benefícios para os brasileiros. Em todo o mundo, energia é considerado questão estratégica. No Brasil é questão apenas comercial. Por isso que o país encontra-se no patamar de atraso em relação ao mundo desenvolvido.

Marcello Castellani

São os impostos, estúpido!

O efeito da taxa Selic na economia é cada vez menor e que a carga tributária elevada trava mais o crescimento. "Nos últimos anos tivemos uma elevação dessa carga tributária, e isso pesa mais do que os juros.", diz o ex-diretor de Política Monetária do BC Luiz Fernando Figueiredo.
A carga tributária insana, implementada por FHC e radicalizada sob Lula, está puxando o país para o fundo do poço.
Crescimento medíocre a cada ano, o que representa retrocesso enorme para o país, já que milhares de jovens que todos os anos saem das escolas para o mercado de trabalho só aumenta. Legiões de desempregados assistem inertes a deterioração de suas perspectivas econômicas, enquanto que a única tônica do governo é, acredite, aumentar ainda mais os impostos.
O país resiste a tanto desgoverno?

Marcello Castellani

Debate 2º turno 2006

Começou e terminou crivado de acusações o primeiro debate com os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), realizado na noite deste domingo pela Bandeirantes, na sede da emissora em São Paulo.Lula e Alckmin trocaram críticas mútuas já a partir da pergunta inicial do mediador, o jornalista Ricardo Boechat.

Se você não viu o debate, viu mas quer rememorar o que foi falado, leia mais em: http://eleicoes.uol.com.br/2006/campanha/ultnot/2006/10/08/ult3750u1308.jhtm

Debate 2º turno 2006

"O remédio e o veneno são os mesmos, o que diferencia é a dose"

Geraldo Alckmin

10.08.2006

Hoje é o debate

Assistam o debate entre Alckmim e Lula logo mais às 20:30 horas na Rede Bandeirantes.

10.07.2006

As alianças surrealistas da política brasileira

Por Ruy Fabiano


"Uma farta amostra do non sense da política brasileira, seu descompromisso com a coerência programática e com o eleitor, está sendo dada neste segundo turno. Vejamos, por exemplo, o Rio de Janeiro, um dos estados mais politizados do país.

Lá, Lula, do PT, está sendo apoiado pelo candidato do PMDB ao governo estadual, Sérgio Cabral, cuja candidatura é patrocinada pelo ex-governador Garotinho, que, no entanto, apóia Geraldo Alckmin, opositor de Lula na disputa presidencial.

Temos então a seguinte equação: Cabral, que elogia Garotinho, vota em Lula, que execra Garotinho, que por sua vez chama a Lula de corrupto e profanador da ética. Já o candidato derrotado do PT ao governo fluminense, Vladimir Palmeira, compartilha com Garotinho – seu arquiinimigo, a quem distribui os adjetivos mais pejorativos que encontra – o apoio a Cabral, mas na eleição federal vai para outro palanque. Vladimir é Lula; Garotinho já foi, deixou de ser e nada impede que volte a sê-lo. A esquerda diz que ele é de direita, a direita que é de esquerda e o centro o chuta para córner.

Garotinho é evangélico como o senador e bispo Marcelo Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus. Rezam pela mesmo Bíblia e se empenham, lado a lado, a aumentar a bancada evangélica nas casas legislativas de todo o país. Mas Crivella está com Lula e Garotinho com Alckmin. Convicções distintas ou, muito pelo contrário, uma maneira esperta de estar sempre ao lado do Poder? O que ganha traz para perto o que perde.
No Maranhão, o quadro é um pouco mais esquisito. A candidata a governadora, Roseana Sarney, apóia Lula, muito embora seu partido, o PFL, integre a coligação do candidato oposto, Geraldo Alckmin. Esse apoio a Lula provocou protestos do PT local, que apóia o opositor de Roseana no segundo turno, Jackson Lago, do PDT. Lula, que será votado dos dois lados, diz a ambos que estão certos, desde que, claro, ambos se disponham a elegê-lo.

Na Bahia, o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Jutahy Magalhães Junior, diz que votou no PT para governador, porque prefere fortalecer indiretamente Lula que apoiar o candidato que lhe fez oposição no plano estadual, o atual governador Paulo Souto, do PFL (partido coligado ao seu no plano federal), apadrinhado por Antonio Carlos Magalhães.
Este, por sua vez, personificou nesta eleição o anti-Lulismo na Bahia, muito embora, na eleição passada, em 2002, tenha sido inversamente um dos baluartes da vitória do candidato petista contra o tucano José Serra. Em síntese, na eleição passada, Lula era para ACM o creme do creme; nesta, é o crime do crime.

Já Jutahy, que passou quatro anos execrando o PT na Câmara dos Deputados, liderando a oposição, confessa agora que votou exatamente no PT. O eleitor baiano – e o brasileiro e o de qualquer outro lugar - não deve estar entendendo nada.

Como se não bastasse, o presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, fez campanha em seu estado, o Ceará, contra imaginem quem? Exatamente: o candidato do PSDB e atual governador Lúcio Alcântara, por cuja eleição, há quatro anos, foi um dos responsáveis. Há quatro anos, Lúcio era o máximo para Tasso; hoje, é o mínimo.
Ao mesmo tempo em que pedia a seus correligionários nacionais que se mantivessem unidos em torno de Alckmin, sobretudo os que se mostravam pouco animados com a imagem de candidato-chuchu do ex-governador paulista, Tasso fortalecia a candidatura Lula colaborando na eleição de Cid Gomes para governador cearense – Cid, irmão de Ciro Gomes, ex-ministro de Lula e seu eleitor entusiástico, inimigo figadal dos tucanos (cujo partido Tasso preside) e da candidatura Alckmin.

É muito? Pois tem mais. Fernando Collor, apeado da Presidência da República em 1992 pelo PT, no primeiro impeachment da história brasileira, confessa que não apenas votou no candidato do PT, Lula, como para ele pediu votos e voltará a fazê-lo no segundo turno.

Lula, por sua vez, que o chamava de ladrão para baixo, retribuiu as loas recebidas. Disse que Collor já pagou por seus erros e agora poderá fazer “coisas excepcionais” no Senado. Não disse que coisas são essas. A troca de gentilezas entre ambos já configura, em si, uma situação excepcional, que dispensa comentários.

Tudo isso mostra a necessidade inadiável de uma reforma política no Brasil. Os partidos não expressam programas, idéias ou ideologias. Não têm compromissos, a não ser com eles mesmos. Expressam meramente interesses e circunstâncias. É claro que interesses e circunstâncias sempre hão de estar presentes e influir na política, aqui e em qualquer parte. Mas há limites, que têm sido largamente transpostos.
Ao beijar a mão de Jader Barbalho (PMDB-PA) e ao reverenciar Newton Cardoso (PMDB-MG), personagens cuja prisão há não muito tempo pedia, Lula disse estar dando uma aula de sociologia política.

Com certeza. Só que o capítulo dessa aula amolda-se à rubrica de “anomalias da política” - a mesma que, no início do século passado, levou o escritor Euclides da Cunha, desencantado com a República que ajudara a propagar, a classificar o processo eleitoral brasileiro de “mazorcas periódicas que a lei marca, denominando-as ‘eleições’, eufemismo que é entre nós o mais vivo traço das ousadias da linguagem”. "

De lá para cá, o que mudou?

Investigação fica longe do Planalto

"Estratégia da PF de manter foco em Valdebran beneficia o governo e direciona responsabilidades ao PT paulista
Escolhas feitas pela Polícia Federal para desvendar que pessoas estão por trás do dossiê Vedoin direcionaram até aqui as investigações para longe do Palácio do Planalto. A estratégia de manter o foco no empresário Valdebran Padilha, que já foi interrogado três vezes, tem como subproduto efeitos políticos que beneficiam o governo."

Leia mais em: http://www.estado.com.br/editorias/2006/10/07/pol-1.93.11.20061007.18.1.xml


Comentário meu: Se no Brasil funcionasse uma justiça séria, uma polícia independente que investigasse e punisse a quem de direito, independente de ideologia ou do governo de plantão, o país avançaria tremendamente. Infelizmente a polícia é partidária e governista e a justiça lenta e leniente. Pobre país.

Você sabia?

Você sabia que já passam de 20 os petistas ligados diretamente ao presidente Lula, envolvidos e afastados em irregularidades e corrupção?
Você sabia que instituições centenárias como o Banco do Brasil e a CEF, foram arrastadas para a lama da corrupção durante o governo petista?
Você sabia que cerca de 7000 pessoas físicas e jurídicas já foram bisbilhotadas nos computadores da Receita Federal?

Este governo petista tem uma veia autoritária muito grande e se for reeleito, você trabalhador brasileiro, se arrependerá amargamente logo em 2007.


Marcello Castellani

Sobre a frase do dia

O brasileiro crítico, vê em toda a sua dimensão o que o PT no governo fez ao Estado. Tornou-o ineficiente, inchado e por conseguinte, corrupto. Milhares de petistas derrotados nas urnas estão ocupando postos no governo federal, e, como o PT recolhe aos seus cofres um percentual sobre os salários desta legião petista, fica patente a infeliz confusão entre o público e o privado. Raciocine caro eleitor sobre o que isso significa. Você, paga todos estes "funcionários" lotados em cargos de confiança, para nada fazerem, já que em sua maioria, estes apadrinhados do governo são incompetentes para a função à qual foram destinados. É justo para com o Brasil? É justo para com o povo brasileiro? Responda você.


Marcello Castellani

Frase do dia

""Patota" petista deixa governo ineficiente e corrupto"


Geraldo Alckmin

10.06.2006

Ninguém fala o que o país precisa ouvir

"O presidente Lula insinua que quer tirar o foco do debate da lama que salpicou seu governo e seu partido para as comparações de desempenho com seu antecessor. É justo que queira, do ponto de vista eleitoral, mas é insuficiente, como deixou claro Plínio de Arruda Sampaio, petista até o ano passado e candidato do PSOL ao governo paulista neste ano.
No debate promovido pela Rede Globo, quando surgiu o tema "emprego", Plínio corretamente lembrou que soltar números isolados de criação de emprego num e noutro governo é equivocado. O certo é comparar o que foi feito com o que é necessário fazer.
E aí perdem fragorosamente tanto Lula como FHC. É esse, de alguma maneira, o enfoque de João Paulo de Almeida Magalhães, presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro, no excelente fascículo "Uma estratégia de desenvolvimento para o Brasil".
Seria leviano se tentasse resumir aqui um trabalho que tem começo, meio e fim e no qual o meio pode ser tão importante quanto o fim. Mas me atrevo a puxar o que me pareceu o mote principal: "A economia brasileira só irá bem quando voltar a crescer 7% ao ano".

Esse é o parâmetro correto de comparação se somado ao desempenho brasileiro em relação ao resto do mundo. Pois bem, "entre 1996 e 2005, enquanto o PIB brasileiro expandiu-se 22,4%, a economia mundial cresceu 45,6%", diz documento da Confederação Nacional da Indústria (o período citado cobre os dois governos).
Como fazer o necessário (crescer 7% ao ano) é algo que esteve ausente da campanha eleitoral. É algo também que não está ao alcance de Lula e de Alckmin isoladamente. O ponto fundamental no debate (fora a lama, que também é essencial discutir) é saber quem pode liderar uma ampla coalizão capaz de pôr o país na rota dos 7%."


Comentário meu: Você, brasileiro, acha que Lula pode fazer algo pelo país em mais 4 anos, o que ele passou longe de fazer nesses 4 em que ficou no poder? Seja sincero consigo mesmo. O que Lula fez? Não vale falar em bolsa família, já que a rede de assistencialismo criada no governo passado e ampliada por ele não estipula contrapartidas às famílias que sobrevivem às suas custas. A gente pode até extrapolar essas considerações e aplicá-las a Alckmim, porém, é notório que o projeto petista contempla apenas o projeto de poder. Seu exclusivo interesse é se beneficiar do estado juntamente com seus companheiros e no final, quem paga a conta é você.

10.05.2006

Vale a pena ler de novo!

Estamos no segundo turno eleitoral. Cabe ao povo brasileiro votar com consciência e pesar na balança o que fazem e o que prometem os nossos governantes. Os impostos esmagam o povo brasileiro no terceiro milênio. Cabe a nós dar um basta nisso, por isto vale a pena ler de novo este post, pois só você pode mudar o quadro.




"Peso dos impostos no Brasil

A história da Inconfidência Mineira, terminou com a morte de um herói, até hoje cultuado no Brasil. Tiradentes foi enforcado porque se rebelou contra a Coroa Portuguesa por taxar a população em 20% em impostos - a Derrama. Hoje, o brasileiro assiste atônito e perplexo a invasão do fisco brasileiro em seus bolsos em 40,65% do PIB! Se todos os brasileiros pagassem todos os impostos que o governo gostaria que pagássemos a carga tributária estaria em 59%!! E, diferente daqueles idos da Inconfidência, nada faz. O brasileiro trabalha quase 150 dias do ano somente para pagar seus impostos. Sabedor de que o peso do impostos sobre o trabalhador, aliado aos juros altos e as más condições de negociação brasileira, impede o crescimento e progresso brasileiro, mostramos ao internauta o que se dá exatamente quando o governo invade seus bolsos.
- Para quem viaja o pedágio é um custo pesado, que poderia ser bem menor não fosse a carga tributária.
- Em um CD, por exemplo, os impostos passam de 47%; em um celular, 41%; pasta de couro, 42,7%; perfume importado, 71%.
- O brasileiro paga imposto desde o momento em que acorda até a hora de dormir.
- Até para realizar a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física pela Internet o contribuinte paga imposto de no mínimo 45,8%,
- Além de contribuir para o avanço da carga de tributos, o excesso de normas tributárias ainda engorda o Custo Brasil de outras formas. A estimativa é que as empresas brasileiras destinem de 1,5% a 2% do faturamento apenas com a administração tributária. A carga tributária não só tem crescido a cada ano como tem avançado muito além da inflação. Entre 1988 e 2004, excluída a inflação, o avanço foi de 269%.
- Está sobrando menos dinheiro no final do mês? Os impostos têm participação nisso. No primeiro semestre deste ano, a carga tributária cresceu mais de 13%, ou seja, cada brasileiro pagou na média R$ 231 a mais de impostos em relação ao mesmo período do ano passado.
- O brasileiro já acorda pagando tributos. Não escapa sequer no café da manhã. Mesmo com isenções, como a farinha de trigo, pagamos quase 20% de impostos no pãozinho, 37% na manteiga e 27% no cafezinho.
- O brasileiro hoje trabalha o dobro do que trabalhava na década de 70 para pagar tributos. Na média, o ganho de mais quatro meses vai para impostos.
- Todos os trabalhadores comemoram quando têm um reajuste de salário, mas atenção: o ganho maior pode ficar para os cofres públicos se o trabalhador pular de faixa de tributação no IR de 15% para 27,5%. É o que acontece com quem tem renda próxima dos R$ 2.326,00, limite para a faixa de 15%
.- Quando você compra presentes para o Dia dos Namorados também presenteia os cofres do governo. Num simples CD, os impostos representam 45% do preço; roupas, 37%; perfumes, 60%; e eletroeletrônicos, de 38% a 57%. Nas flores, a tributação é um pouco menor, mas, mesmo assim, passa de um quinto do preço final.
- A carga tributária abocanha 44% do rendimento bruto dos brasileiros. Sobre a renda, a carga média é de 18%; sobre o patrimônio, 3,5%; e sobre o consumo, por meio de impostos como ICMS, Pis e Cofins, 23%,
- Do preço final da cerveja, 56% são impostos. Mesmo o leite, que é um alimento básico, tem uma alta carga de impostos: um terço de cada caixa de leite longa vida.
- Os custos das consultas e até dos planos de saúde devem subir por conta do aumento da carga de impostos para o setor, determinada por Medida Provisória baixada pelo governo na virada do ano.
- A tributação média sobre os automóveis no Brasil é de 32%
- imposto direto que incide na compra. No exterior não é assim. Nos Estados Unidos, por exemplo, a tributação é de apenas 7%.
- As bondades tributárias do governo podem custar caro. Em troca de isenções de PIS e Cofins sobre a cesta básica e da correção parcial da tabela do Imposto de Renda, foi baixada uma MP que determina aumento médio de 35% na carga para os prestadores de serviço e passa a tributar milhares de produtores rurais isentos, com renda acima de R$ 1164,00.
- A carga per capita de impostos do país cresceu 14% no primeiro semestre. Neste ritmo, deve representar até o final do ano quase R$ 3.600 para cada cidadão.
- Para presentear as crianças, você também paga uma pesada carga de impostos, que representam 32% de um pacote de balas ou chocolate, e chegam a quase 42% do preço dos brinquedos.
- Para limpar a casa, você paga 38% de impostos no desinfetante; quase 38% na água sanitária; mais de 42% no sabão em pó; mais de 43% no álcool; 40% no detergente, saponáceo e sabão em barra; e 43% no amaciante.
- As bebidas carregam pesada carga de impostos, que representam 47% do preço de uma lata de refrigerante; 37,8% do suco; 56% da cerveja; e 83% da cachaça.
- Para renovar o guarda-roupa, o consumidor paga de tributação média nas roupas quase 38%; nos sapatos, os impostos somam 37,3%.
- Os impostos representam quase metade do preço de cada eletrodoméstico, em torno de 44%. O microondas lidera a lista, com quase 57% de impostos.
- Para comer uma macarronada, o consumidor paga, no macarrão, mais de 30% de tributos; no molho de tomate, 36% e, se usar azeite, mais 37%.
- Nos carros populares, o peso dos impostos é de 39,29% do preço final. Já nos veículos acima de mil cilindradas, a tributação atinge 43,6% do valor pago pelo consumidor.
- Na hora de tomar banho, os impostos passam de 52% no xampu, 42% no sabonete, 47% no desodorante, além de 29% na água.
- Na construção de uma casa tida como popular, o peso dos impostos corresponde a quase metade do preço final. Até o material básico tem tributos pesados: 35% nas telhas, 34% nos tijolos, 44% nos vasos sanitários e 45% nas tintas.
- A cada R$ 100 da conta de luz, 35% correspondem a impostos. Com os tributos indiretos cobrados das empresas o setor, a carga chega a 45,8%.
- Somando os tributos diretos e indiretos, a carga sobre as tarifas de telefone chega a 46,6% e, sobre as tarifas de energia, está em 45,8%.
- Somando os tributos diretos e indiretos, a carga sobre as tarifas de telefone chega a 46,6% e, sobre as tarifas de energia, está em 45,8%.

Pra finalizar: “No Brasil, o preço dos produtos é composto em 50% por impostos. Isso faz cair muito o poder aquisitivo da população, diminui o mercado consumidor e forma um círculo vicioso, gerando desemprego. Mais impostos, mais desemprego”.
Gilberto Guimarães, consultor da Fundação Getúlio Vargas.

“Cerca de 44% dos que os brasileiros produzem vão para o governo, ou seja, a cada dia trabalhado, um é para o governo. Chegou a hora de mudar isso”.
Paulo Gomes, Economista.

“O aumento da carga tributária tem feito com que seja cada vez mais lenta a velocidade do surgimento de novas lojas nos shoppings. Só de custo condominial, o lojista paga cerca de 25% de imposto”.
Carlos Jereissati Filho presidente da Associação Brasileira de Shoppings.

“O conjunto da tributação brasileira renda/consumo/patrimônio é o mais alto do mundo, o que dificulta o crescimento da economia”.
Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

“A excessiva carga tributária é um tiro no pé. O prejuízo tanto para o consumidor quanto para a empresa é a redução da capacidade de gastar, o que, no médio prazo, significa um crescimento menor”.
Mário Bernardini, diretor de Competitividade da Fiesp.

“O sistema tributário brasileiro é um dos maiores causadores da informalidade, sonegação e fuga de recursos. A carga eqüivale a uma tributação dos países desenvolvidos, mas com uma prestação de serviços igual à de países não desenvolvidos”.
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial.

Infelizmente, com um estado ineficiente, corrupto e esbanjador todo o dinheiro arrecadado pelo governo, que deveria beneficiar os brasileiros operando uma verdadeira justiça social é simplesmente desviado para os bolsos de políticos corruptos que se locupletam da miséria alheia. Milhões de irmãos brasileiros morrem todos os anos de fome, nas filas dos hospitais, etc, fruto da mesquinharia de nossos políticos. Até quando sustentaremos este estado insano de coisas?

Marcello Castellani

10.04.2006

Artigo de Elio Gaspari na Folha

"Na segunda-feira, com aquelas olheiras que só a adversidade eleitoral produz, 'nosso guia' se candidatou ao lugar de coordenador da campanha de Geraldo Alckmin à Presidência da República. Fez isso quando tratou do dossiê Vedoin e disse o seguinte: 'Eu quero saber quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé'. Quer? Pergunte a Ricardo Berzoini e a Aloizio Mercadante. Eles podem ajudar.
Ao tratar de um crime como curiosidade, Lula assumiu a condição de padrinho dos malfeitores petistas, aloprados e trambiqueiros. Padrinho no sentido da figura de Don Corleone/Marlon Brando.
Não há nenhuma prova, indício ou pista de que haja bico tucano na construção do papelório. Há apenas um raciocínio lógico: se os tucanos foram favorecidos pelo episódio, há dedo deles na produção. Coisa assim: a invasão da Rússia por Hitler permitiu que Stálin consolidasse a sua tirania, donde, Hitler foi uma jogada de Stálin.
Admita-se que o raciocínio de Lula está certo. No início de setembro, um tucano teve uma idéia: vamos pedir ao Vedoin que faça um dossiê contra o Serra, ele o vende ao PT, nós flagramos os compradores, fotografamos o ervanário e botamos o escândalo na imprensa. Um petista aloprado come a isca, compra-se o caso, acerta-se a publicação da denúncia, combina-se o pagamento e vai-se a um hotel buscar mais uns docinhos. Nisso reserva-se R$ 1,7 milhão, em grana viva, para os chantagistas.
Se isso fosse verdade, o presidente de honra do PT teria razão ao chiar. O da República não é pago para tumultuar inquéritos. Os petistas que negociaram com um delinqüente cometeram uma contravenção ao trocar denúncia por dinheiro e um crime e ao remunerar bandidos. Transgrediram as leis da República. Respeitaram apenas a regra do silêncio de Don Corleone.
Diante de um crime, o presidente da República não pode agir como advogado de porta de xadrez. (Será que em 1954 os capangas de Gregório Fortunato foram pagos por Carlos Lacerda para atirar no major Rubens Vaz?)Em São Paulo e no Rio, houve zonas eleitorais onde madames grisalhas, elegantes e gentis distribuíam narizes de palhaço. (Senhoras parecidas com aquelas que fizeram a Marcha da Família em 1964.) O sujeito ganhava uma bolinha vermelha e ia para a seção eleitoral. No comércio, a bolota de plástico custa R$ 2,50 e a de esponja sai por R$ 3, crime eleitoral explícito, mas isso fica para depois. Contra quem esse feliz palhaço protesta? Paulo Maluf? João Paulo Cunha? Clodovil? Lula?
O calor que o senador Eduardo Suplicy tomou de Guilherme Afif Domingos mostra que se quebrou a associação da decência ao PT. Se são todos iguais, Lula é igual a Maluf e Fernando Collor. Exagero? Ouça-se Maluf: 'Tenho plena consciência de que o presidente Lula é um homem limpo e correto'. E Lula: 'Collor poderá, se quiser, fazer um trabalho excepcional no Senado'.
Lula e o PT associaram-se a práticas indecentes. Fizeram isso porque quiseram. A mistura custou o resultado de domingo. A Justiça Eleitoral precisa estar cega para permitir a distribuição de prendas na área onde é proibido repassar santinhos de candidatos. Mesmo assim, o palhaço sempre poderá votar com um nariz que trouxe de casa. Ou Lula pára de dizer monstruosidades ou verá a marcha dos palhaços".

Aviso sério a Lula - El Pais

Os brasileiros foram muito menos clementes nas urnas com Lula do que previam todas as pesquisas. O presidente será obrigado a participar de um segundo turno eleitoral em 29 de outubro, para disputar a chefia do Estado nos próximos quatro anos com Geraldo Alckmin, o agora eufórico ex-governador de São Paulo.A sucessão de escândalos de corrupção atribuídos ao governante Partido dos Trabalhadores, criado por Lula, passou a fatura ao primeiro dirigente esquerdista do Brasil desde 1980.Sua vantagem sobre o social-democrata Alckmin se reduziu finalmente a 7 pontos, menos da metade do que se previa. Nem o carisma nem a política econômica acertada de Lula durante seu mandato, com inflação contida,emprego em alta e um claro aumento das ajudas aos mais pobres, foramsuficientes para ultrapassar a marca de 50% dos votos e atenuar a sensação dos brasileiros de que a deterioração da vida política foi longe demais.Como não há diferenças programáticas fundamentais entre os dois candidatos, será a credibilidade de um e de outro que finalmente vai dirimir a disputa pela presidência do gigante ibero-americano.É bom que seja assim. A sensação acumulada no último ano e meio de que valia tudo no Brasil, desde que não se provasse uma conexão direta do favorito Lula com a corrupção, dissipou-se bruscamente no último domingo. As urnas refletiram uma visão mais exigente da ética política.Lula, que nos últimos meses viu-se obrigado a se livrar de um punhado de íntimos colaboradores no governo ou no partido, envolvidos no jogo sujo, pretendeu estar sempre à margem dos acontecimentos. Mas suas explicações careceram de convicção, e assim ele acaba de receber um sério aviso.O presidente vai ter de mudar muitas coisas em sua estratégia para conseguir a reeleição este mês, algo que agora está distante de um axioma. A votação mostrou um Brasil profundamente dividido, à diferença de quatro anos atrás.Lula ganhou com folga nas regiões pobres do norte e do nordeste, mas perdeu nos estados mais industrializados e prósperos do sul. Quando foi eleito em 2002 à chefia do Estado, prometeu limpar a política do país, e em vez disso o ex-sindicalista presidiu sobre um rosário de escândalos protagonizados por um partido, o seu, que outrora se considerou guardião da virtude. Para Lula parece chegado o momento de pôr mãos à obra, se seus concidadãos lhe derem uma nova oportunidade.

Brilhante artigo de Lúcia Hippolito


Accountability não é contabilidade (por Lucia Hippolito)


Nas democracias, o governante presta contas de seus atos à sociedade. O presidente dos Estados Unidos dá entrevistas quinzenais na Casa Branca, tendo que enfrentar perguntas às vezes constrangedoras, muitas vezes duras, mas quase sempre leais. Na França, o presidente cumpre o mesmo ritual.
Nos países parlamentaristas, além das entrevistas periódicas, o primeiro-ministro vai semanalmente ao Parlamento, onde é “premiado” com uma saraivada de críticas da oposição, ouve discursos fortes, recebe perguntas sobre seus atos e pedidos de explicação sobre atos de governo. Tudo dentro da mais perfeita normalidade democrática.
Nos Estados Unidos, secretários e titulares de agências do governo comparecem rotineiramente às comissões da Casa dos Representantes e do Senado para responder a perguntas e prestar contas das ações dos órgãos sob sua responsabilidade.
Nos países parlamentaristas, então, nem se fala. Como os ministros saem, praticamente todos, do Parlamento, têm que prestar constas à sociedade, através de seus pares.
O que sustenta este procedimento é a accountability, palavra ainda intraduzível em todo o seu conteúdo.
Accountability contém a idéia de que a autoridade é um servidor público. Eleito ou não, tem que prestar contas de seus atos à sociedade. Ou através de periódicas entrevistas coletivas, ou através de periódicas visitas ao Parlamento. Ou ambas.
(Nos Estados Unidos existe a figura do General Accounting Officer, espécie de presidente de tribunal de contas, a quem todos os secretários do governo prestam contas.)
Autoridades são remuneradas pelo povo. Muitas dormem em palácios pagos com o dinheiro do povo, locomovem-se em automóveis e aviões pagos pelo povo, movidos a combustível pago pelo povo. Alimentam-se às custas do povo.
Devem, pois, satisfação de seus atos.
No Brasil, disseminou-se – e não é de hoje – a noção de que autoridades não precisam prestar contas à sociedade. Sentem-se como se tivessem recebido do eleitorado um cheque em branco. Tudo podem, nada devem.
Ministros “fazem o favor” de comparecer às comissões da Câmara e do Senado para prestar contas sobre sua pasta.
O comparecimento de agentes do governo ao Congresso transforma-se numa batalha campal entre oposição e situação. Oposição querendo extrair o fígado da autoridade, situação prestando-se aos mais ridículos papéis para evitar a saia justa para a Excelência. Papelão!
Governos brasileiros confundem prestação de contas com publicidade. Gastam fortunas em publicidade paga, como se isto bastasse para justificar seus empregos.
Sinto muito, mas não basta. Accountability não é contabilidade das empresas de publicidade.
Accountability é um dos pilares da democracia. De agentes públicos, o mínimo que se espera é respeito ao dinheiro do contribuinte, que paga seu salário e suas mordomias.
Accountability é menos palanque e mais debate, menos pronunciamentos e mais entrevistas, menos portarias ministeriais e mais comparecimento ao Congresso.
Afinal, se uma autoridade não resiste a uma crítica ou a uma palavra mais dura, talvez esteja no cargo errado.
Como se diz no interior de Minas, se não agüenta o calor, que saia da cozinha.


Comentário meu: Todas as autoridades legalmente constituidas são servidores públicos e devem satisfação ao público. Infelizmente o brasileiro não cobra devido a ignorância de parcela expressiva da população e conveniência de outra parcela. Estamos na hora de mudar esse status quo imediatamente. Nós pagamos e queremos a contrapartida. Simples assim.
Marcello Castellani

10.03.2006

O Brasil na contramão do mundo desenvolvido.

No caso dos videogames em geral, por exemplo, o XBox 360 "teoricamente" irá ser lançado no Brasil. O preço dele, se fosse lançado legalmente, pagando todos os impostos direitinho, seria de R$ 4000,00, sendo que ele custa nos EUA 400 dólares (a versão premium). Ou seja, é como se 1 dólar = 10 reais. A carga tributária bizonha que nós temos - bizonha porque cobra muito de uns e quase nada de outros - é um dos principais estímulos à pirataria de hardware (contrabando e cópias) e de software. Não existe nenhuma política social sem a redução sistemática dos impostos e a cobrança adequada destes.

Custo Brasil

Ao comprar um computador nos EUA e o mesmo computador no Brasil vemos uma diferença alarmante. No Brasil pagamos o dobro do que se paga nos EUA, Japão, Alemanha ou em qualquer outro país desenvolvido.
É uma vergonha constatar que em um país em desenvolvimento paga-se tão caro por um computador de um lado e fala-se tanto em inclusão digital do outro. Pagamos mais que qualquer europeu, americano, japonês ou australiano por hardware e licenças de software e ao mesmo tempo anuncia-se que "indústria de tecnologia é prioridade nacional". Como resolver? Fica o recado: vote, vote com consciência, exerça a sua cidadania, pois é a nossa arma por um país melhor.

Falta de educação e muitos impostos destróem o país.

"O Brasil caiu seis posições no ranking anual de TI (Tecnologia da Informação), divulgado hoje pelo Fórum Econômico Mundial. Com a 52ª colocação, o país viu a distância aumentar ainda mais para o Chile, 29º e latino-americano mais bem posicionado no levantamento.

UOL Tecnologia


Os EUA voltaram a ocupar o topo da lista (pela terceira vez nas cinco edições realizadas até agora), no lugar de Cingapura. Na seqüência, seguem Dinamarca, Islândia e Finlândia. Os países nórdicos continuam como referência (a Suécia aparece em oitavo e a Noruega, em 13º) pela atuação dos governos em adotar novas tecnologias e incentivar o setor econômico e a sociedade.Além da penetração da TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) nos diversos setores da sociedade, os norte-americanos se destacam pelo investimento em educação, pela cooperação entre entidades de pesquisa e pela competitividade das empresas, segundo o relatório. Na Ásia, surpreendem os dois países candidatos a futuras potências mundiais. A Índia caiu uma posição e está em 40º lugar, enquanto a China perdeu nove postos e está 50º (Hong Kong, 11º, conta separado), ficando apenas dois à frente do Brasil. Mas alguns países da região, berço da mais alta tecnologia, despontam com Taiwan (7º), Coréia do Sul (14º) e Japão (16º). Governo e edução em quedaO Brasil passou a fazer parte do ranking de 2003 e perdeu posições nas duas edições seguintes. O grande responsável pela queda foi o "ambiente para o desenvolvimento" - os outros dois componentes do ranking, com pesos iguais, são "capacidade de desenvolvimento" e "uso da tecnologia". De acordo com o fórum, o governo não oferece ferramentas para o crescimento econômico. Baseada na avaliação de empresários, técnicos e acadêmicos, a entidade destaca quatro pontos cruciais: a burocracia para dar início a uma empresa, a dificuldade para alterar a legislação, o tempo para abrir um negócio e o peso dos impostos (itens em que ocupa a 112ª, 113ª, 114ª e 115ª posições, respectivamente, entre os 115 países pesquisados). O ambiente para os negócios no Brasil caiu de 46º para 112º do mundo.Outro fator que pesou negativamente foi a qualidade do ensino, em especial o de matemática e ciência e nas escolas públicas, em 100º lugar. O item em que o país melhorou foi a adoção da tecnologia pela população, em que subiu de 43º para 38º no ranking. Aí, são avaliados, por exemplo, o número de celulares, telefones, computadores pessoais, TVs e usuários de banda larga.Nesse item, porém, o desempenho do país poderia ter sido melhor, pois os dados avaliados são de 2002 ou 2003, a partir de quando houve uma grande massificação da tecnologia no usuário final (o brasileiro passou a ser o povo que mais tempo navega na Internet; o acesso à Web e o número de celulares batem recorde a cada mês; entraram em vigor os incentivos fiscais para aquisição de computador popular, entre outros fatos). Junto com o Brasil, os latino-americanos rebaixados no levantamento foram Jamaica, Uruguai, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Honduras, Equador, Bolívia, Guiana, Nicarágua e Paraguai. Além do Chile, os destaques positivos na região foram México e Argentina, que avançaram cinco postos e estão em 55º e 71º lugares. Subiram também El Salvador, Colômbia, Panamá, Venezuela e Peru. Ao ganhar seis posições, o desempenho chileno recebeu elogios de Augusto López Claro, diretor de Rede de Competitividade do Fórum Econômico Mundial, o qual comparou-o ao de países da Comunidade Européia. "O governo converteu as tecnologias de informação e comunição em ferramentas para melhorar o serviço público e aumentar a transparência financeira. Esse avanço está ligado diretamente à qualidade de ensino", afirmou.

Brasileiro é escravo do governo.

“O brasileiro é um escravo do Fisco: trabalha quatro meses e meio do ano só para pagar tributos. E mais dois meses para pagar os serviços que o governo deveria lhe dar, como Saúde, Educação, Previdência e Segurança”.

Gilberto Luiz do Amaral, Presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

Peso dos impostos no Brasil

A história da Inconfidência Mineira, terminou com a morte de um herói, até hoje cultuado no Brasil. Tiradentes foi enforcado porque se rebelou contra a Coroa Portuguesa por taxar a população em 20% em impostos - a Derrama.
Hoje, o brasileiro assiste atônito e perplexo a invasão do fisco brasileiro em seus bolsos em 40,65% do PIB! Se todos os brasileiros pagassem todos os impostos que o governo gostaria que pagássemos a carga tributária estaria em 59%!! E, diferente daqueles idos da Inconfidência, nada faz. O brasileiro trabalha quase 150 dias do ano somente para pagar seus impostos. Sabedor de que o peso do impostos sobre o trabalhador, aliado aos juros altos e as más condições de negociação brasileira, impede o crescimento e progresso brasileiro, mostramos ao internauta o que se dá exatamente quando o governo invade seus bolsos.

- Para quem viaja o pedágio é um custo pesado, que poderia ser bem menor não fosse a carga tributária.
- Em um CD, por exemplo, os impostos passam de 47%; em um celular, 41%; pasta de couro, 42,7%; perfume importado, 71%.
- O brasileiro paga imposto desde o momento em que acorda até a hora de dormir.
- Até para realizar a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física pela Internet o contribuinte paga imposto de no mínimo 45,8%,
- Além de contribuir para o avanço da carga de tributos, o excesso de normas tributárias ainda engorda o Custo Brasil de outras formas. A estimativa é que as empresas brasileiras destinem de 1,5% a 2% do faturamento apenas com a administração tributária. A carga tributária não só tem crescido a cada ano como tem avançado muito além da inflação. Entre 1988 e 2004, excluída a inflação, o avanço foi de 269%.
- Está sobrando menos dinheiro no final do mês? Os impostos têm participação nisso. No primeiro semestre deste ano, a carga tributária cresceu mais de 13%, ou seja, cada brasileiro pagou na média R$ 231 a mais de impostos em relação ao mesmo período do ano passado.
- O brasileiro já acorda pagando tributos. Não escapa sequer no café da manhã. Mesmo com isenções, como a farinha de trigo, pagamos quase 20% de impostos no pãozinho, 37% na manteiga e 27% no cafezinho.
- O brasileiro hoje trabalha o dobro do que trabalhava na década de 70 para pagar tributos. Na média, o ganho de mais quatro meses vai para impostos.
- Todos os trabalhadores comemoram quando têm um reajuste de salário, mas atenção: o ganho maior pode ficar para os cofres públicos se o trabalhador pular de faixa de tributação no IR de 15% para 27,5%. É o que acontece com quem tem renda próxima dos R$ 2.326,00, limite para a faixa de 15%.
- Quando você compra presentes para o Dia dos Namorados também presenteia os cofres do governo. Num simples CD, os impostos representam 45% do preço; roupas, 37%; perfumes, 60%; e eletroeletrônicos, de 38% a 57%. Nas flores, a tributação é um pouco menor, mas, mesmo assim, passa de um quinto do preço final.
- A carga tributária abocanha 44% do rendimento bruto dos brasileiros. Sobre a renda, a carga média é de 18%; sobre o patrimônio, 3,5%; e sobre o consumo, por meio de impostos como ICMS, Pis e Cofins, 23%,
- Do preço final da cerveja, 56% são impostos. Mesmo o leite, que é um alimento básico, tem uma alta carga de impostos: um terço de cada caixa de leite longa vida.
- Os custos das consultas e até dos planos de saúde devem subir por conta do aumento da carga de impostos para o setor, determinada por Medida Provisória baixada pelo governo na virada do ano.
- A tributação média sobre os automóveis no Brasil é de 32% - imposto direto que incide na compra. No exterior não é assim. Nos Estados Unidos, por exemplo, a tributação é de apenas 7%.
- As bondades tributárias do governo podem custar caro. Em troca de isenções de PIS e Cofins sobre a cesta básica e da correção parcial da tabela do Imposto de Renda, foi baixada uma MP que determina aumento médio de 35% na carga para os prestadores de serviço e passa a tributar milhares de produtores rurais isentos, com renda acima de R$ 1164,00.
- A carga per capita de impostos do país cresceu 14% no primeiro semestre. Neste ritmo, deve representar até o final do ano quase R$ 3.600 para cada cidadão.
- Para presentear as crianças, você também paga uma pesada carga de impostos, que representam 32% de um pacote de balas ou chocolate, e chegam a quase 42% do preço dos brinquedos.
- Para limpar a casa, você paga 38% de impostos no desinfetante; quase 38% na água sanitária; mais de 42% no sabão em pó; mais de 43% no álcool; 40% no detergente, saponáceo e sabão em barra; e 43% no amaciante.
- As bebidas carregam pesada carga de impostos, que representam 47% do preço de uma lata de refrigerante; 37,8% do suco; 56% da cerveja; e 83% da cachaça.
- Para renovar o guarda-roupa, o consumidor paga de tributação média nas roupas quase 38%; nos sapatos, os impostos somam 37,3%.
- Os impostos representam quase metade do preço de cada eletrodoméstico, em torno de 44%. O microondas lidera a lista, com quase 57% de impostos.
- Para comer uma macarronada, o consumidor paga, no macarrão, mais de 30% de tributos; no molho de tomate, 36% e, se usar azeite, mais 37%.
- Nos carros populares, o peso dos impostos é de 39,29% do preço final. Já nos veículos acima de mil cilindradas, a tributação atinge 43,6% do valor pago pelo consumidor.
- Na hora de tomar banho, os impostos passam de 52% no xampu, 42% no sabonete, 47% no desodorante, além de 29% na água.
- Na construção de uma casa tida como popular, o peso dos impostos corresponde a quase metade do preço final. Até o material básico tem tributos pesados: 35% nas telhas, 34% nos tijolos, 44% nos vasos sanitários e 45% nas tintas.
- A cada R$ 100 da conta de luz, 35% correspondem a impostos. Com os tributos indiretos cobrados das empresas o setor, a carga chega a 45,8%.
- Somando os tributos diretos e indiretos, a carga sobre as tarifas de telefone chega a 46,6% e, sobre as tarifas de energia, está em 45,8%.
- Somando os tributos diretos e indiretos, a carga sobre as tarifas de telefone chega a 46,6% e, sobre as tarifas de energia, está em 45,8%.

Pra finalizar:

“No Brasil, o preço dos produtos é composto em 50% por impostos. Isso faz cair muito o poder aquisitivo da população, diminui o mercado consumidor e forma um círculo vicioso, gerando desemprego. Mais impostos, mais desemprego”.
Gilberto Guimarães, consultor da Fundação Getúlio Vargas.

“Cerca de 44% dos que os brasileiros produzem vão para o governo, ou seja, a cada dia trabalhado, um é para o governo. Chegou a hora de mudar isso”.
Paulo Gomes, Economista.

“O aumento da carga tributária tem feito com que seja cada vez mais lenta a velocidade do surgimento de novas lojas nos shoppings. Só de custo condominial, o lojista paga cerca de 25% de imposto”. , Carlos Jereissati Filho presidente da Associação Brasileira de Shoppings.

“O conjunto da tributação brasileira renda/consumo/patrimônio é o mais alto do mundo, o que dificulta o crescimento da economia”.
Gilberto Luiz do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

“A excessiva carga tributária é um tiro no pé. O prejuízo tanto para o consumidor quanto para a empresa é a redução da capacidade de gastar, o que, no médio prazo, significa um crescimento menor”.
Mário Bernardini, diretor de Competitividade da Fiesp.

“O sistema tributário brasileiro é um dos maiores causadores da informalidade, sonegação e fuga de recursos. A carga eqüivale a uma tributação dos países desenvolvidos, mas com uma prestação de serviços igual à de países não desenvolvidos”.
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial.

Infelizmente, com um estado ineficiente, corrupto e esbanjador todo o dinheiro arrecadado pelo governo, que deveria beneficiar os brasileiros operando uma verdadeira justiça social é simplesmente desviado para os bolsos de políticos corruptos que se locupletam da miséria alheia. Milhões de irmãos brasileiros morrem todos os anos de fome, nas filas dos hospitais, etc, fruto da mesquinharia de nossos políticos.
Até quando sustentaremos este estado insano de coisas?

Marcello Castellani

Bandidos de terno

De Maurício Ricardo - Ouça a música em http://charges.uol.com.br/musica.php?id=14


"(Caso 1 - O executivo calculista)
Você já foi humano Já foi mais emotivo
Mas nunca cresceria como executivo...
Sem sorriso forçadoSem discurso ensaiado
E sem sacanear o colega do ladoHoje semimorto
Mas com todo o conforto
Será que você consegue ver? Você vendeu sua alma!

(Caso 2 - O falso homem de Deus)
Com o dom da palavra
E a fé sem tamanho
Você só desejava salvar seu rebanho
Pra "expandir a obra" Pregava o dia inteiro
E implorava por doações em dinheiro
Hoje torra a granaE ainda se engana
Dizendo que é presente de Deus
Você vendeu sua alma

(Refrão)O diabo usa gravata! (3 X)
E te mata!

(Caso 3 - O político corrupto)
Em busca de justiça
Você, ainda novo,
Chegou até Brasília nos braços do povo
No início foi difícil
Você ficou chocado
Ao ver o mar de lama onde havia entrado
Hoje, quem diria
Você bola o esquema
E diz que a culpa é do sistema!
Você vendeu sua alma!(Refrão)
Sei que a miséria te assusta
E a violência é o inferno
Mas a fonte real
De todo o mal
São os bandidos de terno!

(Solo, refrão)

Corrupção custa 3,5 bilhões de dólares ao Brasil

"O brasileiro paga caro pelo aumento da corrupção no País. Segundo estudo feito pelo coordenador da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Fernandes, a perda de produtividade provocada por fraudes públicas no Brasil atinge a casa de US$ 3,5 bilhões por ano. 'Da mesma forma que estradas e portos bem estruturados melhoram a produtividade do País, instituições ineficientes diminuem o ganho da nação', afirma Fernandes.Ele explica que o prejuízo foi calculado com base em dados do Banco Mundial (Bird) sobre educação e investimentos de 109 países, além de índices de percepção de corrupção da organização não-governamental Transparência Internacional. Na avaliação do professor da FGV - que lança hoje o livro Ética e Economia, em São Paulo -, com as péssimas qualidades das leis, da governabilidade e do ambiente de negócios, as empresas hesitam em investir no País e deixam de criar emprego e renda para a sociedade.Para ter idéia do que significa a perda de produtividade provocada pela corrupção no Brasil, basta comparar o volume de dinheiro empenhado pelo governo no Ministério dos Transportes. Até agosto, foram cerca de R$ 5,3 bilhões em obras de infra-estrutura de transportes, como estradas, hidrovias, ferrovias e portos - bem abaixo da perda de produtividade anual calculada em US$ 3,5 bilhões, ou R$ 7,5 bilhões convertidos pelo dólar de R$ 2,17.Fernandes completa ainda que em apenas dois escândalos recentes da história do Brasil - o superfaturamento do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo pelo juiz Nicolau dos Santos Neto e o dos sanguessugas, a população perdeu cerca de US$ 150 milhões. 'Com esse dinheiro seria possível construir 200 mil casas populares e abrigar 800 mil pessoas', calcula o professor.Segundo ele, muito dinheiro que poderia ser investido na precária infra-estrutura do País é desviado pela corrupção. Com isso, o Estado perde força e suas políticas de investimentos são enfraquecidas. Resultado disso pode ser verificado no Índice de Competitividade Global 2006-2007 do Fórum Econômico Mundial. Números divulgados na semana passada mostram que o Brasil caiu nove posições no ranking internacional, de 57ª para 66ª colocação, ficando abaixo dos demais países que formam o chamado Bric (Rússia, Índia e China).De acordo com o Fórum, o desempenho do Brasil se deve especialmente a dois fatores: indicadores macroeconômicos e institucionais. 'A corrupção traz efeitos graves para a competição dos mercados', afirma o diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo.Segundo ele, o efeito disso para a população é lamentável, já que menos investimentos significam menos emprego, renda e piora do bem-estar da população. 'O custo social é grande, pois priva as pessoas de uma melhor qualidade de vida e de liberdade de escolha', diz Fernandes.O economista Reinaldo Gonçalves, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acrescenta ainda que a corrupção aumenta o risco e a incerteza no ambiente de negócios do País. 'Para se proteger disso, os preços dos bens e serviços acabam embutindo o custo da corrupção, como se fosse um imposto', reclama ele.Para o professor, além de aumentar as incertezas, as fraudes públicas elevam as práticas oportunistas. 'Como alguns cometem atos ilícitos e não são punidos, os outros também adotam armas corruptas para competir.' Na avaliação dele, há uma fragilidade sistêmica no Brasil, um processo de 'africanização'.Dados da ONG Transparência Internacional mostram que o Índice de Percepção de Corrupção do Brasil é semelhante ao de países como Belize, Sri Lanka, Peru, Kuwait e Colômbia (ver gráfico). Os países mais seguros são Finlândia, Dinamarca, Cingapura e Suíça. Os piores no quesito fraude pública são Bangladesh, Paraguai e Indonésia.Na avaliação do professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp, Roberto Romano, um dos problemas que elevam o índice de corrupção no Brasil é o número de mediadores no sistema. Da União até chegar ao destino estabelecido, o dinheiro passa por várias mãos, o que facilita a fraude, argumenta ele. 'Resultado disso é a desigualdade entre as regiões e a falta de competitividade do produto brasileiro. Se você não tem valor agregado, sobretudo de ponta, o que você tem a oferecer? Banana', destaca o professor.Mas há uma luz no fim do túnel, argumentam os especialistas. Uma das alternativas é deixar de tratar a corrupção como causa da moralidade. Para Abramo, ela tem origem em instituições e práticas administrativas frágeis.'No Brasil, os governos podem nomear cargos aleatoriamente em troca de apoio parlamentar. Isso precisa ser mudado', indigna-se ele, reivindicando a criação de políticas de gerenciamento de conflito de interesses. 'Certamente não se combate corrupção dizendo que ela é feia.' Gonçalves, da FGV, acredita que a instituição de mecanismos que permitam a fiscalização pública do orçamento do governo já contribuiria para reduzir as fraudes. 'É preciso transparência. Se você torna tudo eletrônico, é possível consultar o andamento dos processos, contratos de compra de serviços, etc.' Mas isso precisa ser inteligível. Não adianta dispor de dados se não é possível fazer a leitura, alerta ele. 'Junta-se a isso a necessidade de redução da burocracia e a aprovação de leis mais racionais.' "

O Estado de São Paulo.

O Brasil é um caso sério.

As eleições brasileiras nos mostraram que o povo brasileiro é um caso sério. Vários envolvidos em corrupção voltaram ao poder (para sob o manto da impunidade, continuarem seus atos de corrupção). Vejam só quem voltou:

- Collor de Mello, ex-presidente cassado por corrupção agora vai para o Senado.
- Antonio Palocci, responde a vários processos por corrupção em Ribeirão Preto e por perseguir o caseiro no caso da mansão da maracutaia, volta como deputado.
- Paulo Maluf, acusado pela justiça e respondendo a vários processos por desvios de mais de meio bilhão de reais foi o deputado mais votado.
- João Paulo Cunha, recebeu de Marcos Valério R$ 50.000,00 e mentiu dizendo que foi ao banco pra pagar tv a cabo.
E, se você caro internauta, for pesquisar um pouquinho mais, verá que a lista é mais longa do que o que consta aqui. A miséria da ignorância moral, espiritual e material é o que condena este belo país ao atraso, prejudicando toda uma geração de brasileiros sedentos por um lugar ao sol.

Por Marcello Castellani

Frase da semana

"O novo Congresso está fadado a repetir os vícios horrendos do velho. Há na lista de eleitos alguns escândalos esperando para acontecer."

Josias de Sousa.

Uma colisão da qual nenhum de nós poderia ter sobrevivido

"Era um vôo confortável, rotineiro. Com o quebra-sol da janela fechado, eu estava descansando em meu assento de couro a bordo de um jato executivo de US$ 25 milhões, voando a mais de 11 mil metros acima da vasta floresta tropical Amazônica. Cada um dos sete a bordo do jato para 13 passageiros estava na sua.Sem aviso, eu senti um solavanco e ouvi uma forte batida, seguida por um silêncio assustador, exceto pelo zunido dos motores.E então vieram as três palavras que nunca esquecerei. "Fomos atingidos", disse Henry Yandle, um outro passageiro que estava em pé no corredor perto da cabine do jato Legacy 600 da Embraer."Atingidos? Pelo quê?" me perguntei. Eu levantei o quebra-sol. O céu estava claro; o sol baixo no céu. A floresta tropical parecia não acabar mais. Mas lá, na extremidade da asa, se encontrava uma aresta dentada, talvez de 30 centímetros de altura, onde uma winglet (ponta da asa) de 1,5 metro devia estar.E assim começaram os mais angustiantes 30 minutos da minha vida. Me diriam várias vezes nos dias seguintes que ninguém jamais sobreviveu a uma colisão no ar. Eu tinha sorte de estar vivo - e apenas posteriormente é que tomaria conhecimento de que 155 pessoas, a bordo do Boeing 737 em um vôo doméstico que aparentemente se chocou conosco, não estavam.Os investigadores ainda estão tentando descobrir o que aconteceu, e como - por algum milagre - nosso jato menor conseguiu se manter no ar enquanto o 737 que era mais longo, mais largo e três vezes mais pesado caiu do céu verticalmente.Mas às 15h59 da tarde da última sexta-feira, tudo o que pude ver, tudo o que sabia, era que parte da asa tinha sido perdida. E estava claro que a situação piorava rapidamente. A borda da asa estava perdendo rebites e começando a se desfazer.Surpreendentemente, ninguém entrou em pânico. Os pilotos calmamente começaram a estudar seus controles e mapas em busca de sinais de um aeroporto próximo ou, pela janela, um lugar para pousar.Mas à medida que os minutos passavam, o avião continuava a perder velocidade. Àquela altura todos nós sabíamos que a situação era grave. Eu me perguntava quão dolorida seria uma aterissagem - um termo otimista para queda.Eu pensei na minha família. Não havia sentido em tentar telefonar com meu celular - não havia sinal. E à medida que nossas esperanças diminuíam, alguns de nós escreveram bilhetes para esposas e entes queridos e os colocaram nas carteiras, na esperança de serem encontrados posteriormente.Eu estava concentrado em notas diferentes quando o vôo teve início. Eu escrevo semanalmente a coluna "On the Road" para a seção de viagem de negócios do "New York Times", publicada às terças-feiras, há sete anos. Mas eu estava no Embraer 600 para um artigo freelance para a revista "Business Jet Travel". Os demais passageiros incluíam executivos da Embraer e de uma empresa de vôos charter chamada ExcelAire, a nova dona do jato. David Rimmer, o vice-presidente sênior da ExcelAire, me convidou para pegar uma carona para casa no jato que sua empresa tinha acabado de adquirir na sede da Embraer aqui.E a viagem até então tinha sido boa. Minutos antes da colisão, eu fui até a cabine para conversar com os pilotos, que disseram que o avião estava voando perfeitamente. Eu li o mostrador que apontava nossa altitude: 37 mil pés (11.277 metros).Então o choque, que também arrancou parte da cauda de nosso avião.Imediatamente após, não houve muita conversa.Rimmer, um homem grande, estava debruçado no corredor à minha frente olhando pela janela para a asa danificada."Quão ruim ela está?" eu perguntei.Ele se voltou para mim com olhar firme e disse: "Eu não sei". Eu vi a linguagem corporal dos dois pilotos. Eles pareciam soldados de infantaria trabalhando em uma situação difícil, como foram treinados a fazer.Nos 25 minutos seguintes, os pilotos, Joe Lepore e Jan Paladino, analisaram seus instrumentos à procura de um aeroporto. Nada aparecia.Eles enviaram um pedido de socorro, que foi recebido por uma avião de carga em alguma parte da região. Não houve contato com nenhum outro avião e certamente não com um 737 no mesmo espaço aéreo.Lepore então avistou uma pista em meio à mata escura."Eu consigo ver um aeroporto", ele disse.Eles tentaram contatar a torre de controle, que era de uma base militar escondida Amazônia adentro. Ele fizeram uma curva acentuada para reduzir a pressão na asa.Enquanto se aproximavam da pista, eles receberam o primeiro contato do controle de tráfego aéreo."Nós não sabíamos qual era a extensão da pista ou se tinha algo nela", disse Paladino posteriormente, naquela noite na base do Cachimbo na floresta.A descida foi brusca e rápida. Eu assisti os pilotos lutarem com a aeronave porque muitos dos controles automáticos tinham se perdido. Eles conseguiram parar o avião restando ainda um bocado de pista. Nós cambaleamos para a saída."Bela pilotagem", eu disse aos pilotos ao passar por eles. Na verdade, eu inseri uma palavra impublicável entre "bela" e "pilotagem"."Ao seu dispor", disse Paladino com um sorriso nervoso.Posteriormente naquela noite, eles nos serviram cerveja gelada e comida na base militar. Nós especulamos interminavelmente sobre o que causou o impacto. Um balão meteorológico desgarrado? Um caça militar cujo piloto ejetou? Um avião nas proximidades que explodiu, lançado destroços contra nós?Seja qual fosse a causa, ficou claro que estivemos envolvidos em uma colisão no ar da qual nenhum de nós devia ter sobrevivido.Em um momento de humor negro no quartel onde dormiríamos, eu disse: "Talvez a gente esteja realmente morto e isto seja o inferno -revivendo papos furados de faculdade com uma lata de cerveja pela eternidade".Por volta das 19h30, Dan Bachmann, um executivo da Embraer e o único entre nós que falava português, veio à mesa na sala com notícias do escritório do comandante. Um Boeing 737 com 155 pessoas a bordo tinha desaparecido no local onde fomos atingidos.Antes daquele momento, nós todos estávamos brincando e rindo do apuro do qual escapamos. Nós éramos os 7 da Amazônia, vivendo agora um tempo precioso que não mais nos pertencia, mas que de alguma forma tínhamos adquirido. Nós nos encontraríamos anualmente para narrar que uso fizemos deste tempo.Em vez disso, naquele momento nós baixamos nossas cabeças em um longo momento de silêncio, com o som de lágrimas abafadas.Ambos os pilotos, com extensa experiência em jatos executivos, ficaram abalados com a situação. "Se alguém devia ter caído deveria ter sido nós", ficava repetindo Lepore, 42 anos, de Bay Shore, Nova York.Paladino, 34 anos, de Westhampton, Nova York, mal conseguia falar. "Eu estou tentando digerir a perda de todas aquelas pessoas. Está realmente começando a doer", ele disse.Yandle lhe disse: "Vocês são heróis. Vocês salvaram nossas vidas". Eles sorriram de forma abatida. Estava claro que o peso de tudo aquilo permaneceria com eles para sempre.No dia seguinte, a base estava repleta de autoridades brasileiras investigando o acidente e dirigindo as operações de busca pelo 737, que um oficial me disse que se encontrava em uma área a menos de 160 quilômetros ao sul de onde estávamos, mas cujo acesso só era possível abrindo densa mata à mão.Nós também tivemos acesso ao nosso avião, que estava sendo estudado minuciosamente pelos inspetores. Ralph Michielli, vice-presidente de manutenção da ExcelAire e um passageiro do vôo, me levou em um elevador para ver o dano na asa perto da winglet partida.Um painel perto da borda da asa estava separado em mais de 30 centímetros. Manchas escuras perto da fuselagem mostravam que combustível tinha vazado. Partes do estabilizador horizontal na cauda foram esmagadas, um pedaço pequeno estava faltando no elevador esquerdo.Um inspetor militar brasileiro ao lado me surpreendeu com sua disposição de conversar, apesar das limitações da conversa devido ao seu fraco inglês e meu português inexistente.Ele especulava sobre o que tinha acontecido, mas foi isto o que ele disse: ambos os aviões estavam, inexplicavelmente, na mesma altitude e no mesmo espaço no céu. Os pilotos do 737 a caminho do sudeste avistaram nosso Legacy 600, que estava voando para noroeste rumo a Manaus, e fizeram uma manobra evasiva frenética. A asa do 737 -se precipitando no espaço entre nossa asa e a cauda alta, nos atingiu duas vezes, e o avião maior mergulhou em sua espiral fatal.Soava como uma situação impossível, reconheceu o inspetor. "Mas eu acho que foi isto o que aconteceu", ele disse. Apesar de ninguém ainda ter dito ao certo como o acidente ocorreu, três outros oficiais brasileiros me disseram que foram informados que ambos os aviões estavam na mesma altitude.Por que eu - o passageiro mais próximo do impacto - não ouvi nenhum som, nenhum barulho de um grande 737?Eu perguntei a Jeirgen Prust, o piloto de teste da Embraer. Isto ocorreu no dia seguinte, quando fomos transferidos da base em uma aeronave militar para a sede da polícia em Cuiabá. Foi lá que as autoridades estabeleceram a jurisdição e onde pilotos e passageiros do Legacy 600, incluindo eu, seríamos interrogados até o amanhecer por um intenso comandante da polícia e seus tradutores.Prust pegou uma calculadora e digitou, imaginando o tempo disponível para ouvir o barulho de um jato vindo na direção de outro jato, cada um voando a mais de 800 km/h em direções opostas. Ele me mostrou os números. "É bem menos do que uma fração de segundo", ele disse. Ambos olhamos para os pilotos desabados nos sofás do outro lado da sala."Eles e aquele avião salvaram nossas vidas", eu disse."Segundo meus cálculos", ele concordou.Eu posteriormente pensei que talvez o piloto do avião comercial brasileiro tenha salvo nossas vidas, devido ao seu reflexo rápido. Pena que seus próprios passageiros não poderiam dizer o mesmo.Na sede da polícia, nós fomos obrigados a escrever em uma folha de papel nossos nomes, endereços, datas de nascimento, ocupações e escolaridade, além do nome de nossos pais. Também fomos obrigados a passar por um exame com um médico de cabelo comprido, que vestia uma avental que chegava quase à sua canela. Nós fomos obrigados a nos despir até a cintura para fotografias de frente e costas.Isto, explicou o médico, cujo nome eu não entendi mas que se descreveu como um "médico perito", era para provar que não tínhamos sido torturados.O humor negro voltou apesar de nossas tentativas de contê-lo."Este sujeito é um legista", me explicou Yandle posteriormente, "eu acho que isto significa que nós estamos realmente mortos".Mas os risos agora desapareceram, ao nos lembrarmos constantemente dos corpos ainda não recuperados na selva, e como suas vidas e as nossas se cruzaram, literal e metaforicamente, por uma terrível fração de segundo. "

Times

10.02.2006

Lula discute erros do primeiro turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na manhã desta segunda-feira (02) com os ministros que compõem a coordenação política do governo. A reunião faz uma análise do quadro político pós-primeiro turno. O objetivo é evitar que o baque de ter levado a eleição para o próximo turno cause um reflexo negativo na campanha que acabe por beneficiar o adversário tucano Geraldo Alckmin.
Estão presentes na reunião os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Tarso Genro (Relações Institucionais), Dilma Rousseff (Casa Civil), Luiz Dulci (Secretaria-Geral) e Guido Mantega (Fazenda), além de outros assessores. O vice-presidente José Alencar também estava previsto para participar do encontro. Lula atribuiu ontem a erros do PT ao longo da campanha o fato de não vencer em primeiro turno. Até uma semana antes da eleição, ele aparecia em todas as pesquisas eleitorais como vitorioso no primeiro turno.
Entre os erros a que se referiu estava a revelação de que o dossiê tucano que tentava ligar candidatos do PSDB com a máfia dos sanguessugas, de venda superfaturada de ambulâncias, havia tido a participação direta de pessoas ligadas ao PT e próximas ao presidente.
Outro fator apontado para que Lula não vencesse no primeiro turno, apontado por seus assessores, foi sua ausência no último debate entre os candidatos, realizado pela Rede Globo três dias antes da eleição.Ontem após a definição de que haveria segundo turno, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, e o coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, avaliaram que a decisão de não ir ao debate prejudicou Lula.
Lula vai disputar o segundo turno com Geraldo Alckmin (PSDB) no dia 29 de outubro. O presidente teve 48,6% dos votos válidos, contra 41,6% de Alckmin. Durante quase toda a campanha Lula sempre esteve acima dos 50% dos votos válidos, o que indicava vitória no primeiro turno.
Esta é a segunda vez que a eleição presidencial é disputada em segundo turno desde que a novidade foi introduzida no calendário político brasileiro, em 1988. Naquele ano, não houve necessidade de segundo turno, já que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu a eleição contra Lula na primeira etapa. Em 2002, Lula precisou da segunda rodada para vencer José Serra (PSDB). Agora, disputa o segundo turno eleitoral novamente contra um tucano.

Do Globo - http://g1.globo.com/Noticias/Eleicoes/0,,AA1294844-6282,00.html

O preço da ignorância 5

Dois fatos impressionam na educação brasileira: a magnitude da rede escolar pública e sua precariedade. Ela tem, hoje em dia, na condição de alunos, cerca de 30 milhões de pessoas. Se acrescentarmos os professores e administradores da educação, esse número será ainda maior. É de se perguntar, porém, o que produz essa máquina tão prodigiosamente grande. O produto principal da máquina educacional brasileira são 500 mil analfabetos adultos por ano, uma vez que não será menor que meio milhão o número de jovens brasileiros que chegam, anualmente, aos 18 anos, analfabetos. Só no Rio de Janeiro avaliamos em pelo menos 50 mil a produção anual de analfabetos, a maioria deles com três ou quatro anos de escolaridade.Se estendermos a condição de analfabeto à do iletrado ou do analfabeto funcional - aquele que desenha o nome e se declara alfabetizado, mas é incapaz de obter ou de transmitir uma informação escrita - veremos que dobrará, no Brasil e no Rio, o número de brasileiros que ingressam anualmente na vida adulta marginalizados da cultura do seu povo e do seu tempo por não estarem incorporados à civilização letrada.Brasil - Escolaridade no Censo Nacional de 1970 e 1980 para maiores de 10 anos

Sem escolaridade
Um ano
Dois anos
Total
1970
24,0 milhões
5,1 milhões
6,9 milhões
32,0 milhões
1980
24,0 milhões
4,8 milhões
7,3 milhões
36,3 milhões

Para atendermos a 140 milhões de brasileiros - quase metade dos quais com menos de 18 anos - com índices de educação satisfatórios, deveríamos ter muito mais do que esse número aparentemente espantoso de 30 milhões de pessoas movimentando a máquina do ensino público.Embora nosso sistema educacional tenha saltado de seis milhões de pessoas em 1950 para 10 milhões em 1960, para 19 milhões em 1970 e para 30 milhões hoje, a verdade é que a escola pública brasileira não cresceu onde devia, nem como devia.O que se obteve com esse crescimento meramente quantitativo foi uma escola de mentira, incapaz até mesmo de cumprir a tarefa elementar de alfabetizar a população. Nas últimas décadas em que o Brasil "progrediu" tão assinalavelmente em tantos campos, só viu crescer o número de analfabetos adultos.Examinando o resultado do censo de 1970, para o conjunto do Brasil, veremos que do total de 65,8 milhões de brasileiros com mais de 10 anos de idade, 24 milhões nunca tinham ido à escola (8,7 deles nas cidades e 15,3 nas zonas rurais). Cinco milhões tinham tido apenas um ano de escola e sete milhões, só dois. Tínhamos, conforme se verifica, 32 milhões de habitantes, que eram analfabetos funcionais. O censo nacional de 1980 reproduzia quase os mesmos números absolutos de analfabetos funcionais, que aumentaram de 32 para 36,3 milhões, demonstrando assim que os problemas educacionais só têm se agravado.


Para precisar melhor o nosso fracasso educacional, vejamos alguns números expressivos. Com respeito aos analfabetos de 15 anos e mais, registrados nos recenseamentos, por exemplo, as porcentagens, décadas após décadas, vêm diminuindo, mas o número absoluto vem aumentando. Eram 56,2% os analfabetos maiores de 15 anos em 1940, somando 13 milhões. Os analfabetos de 1950 eram 50,5% e montavam a 15 milhões. Caíram para 39,3% em 1960, mas seu número elevou-se para 16 milhões. Em 1970, a porcentagem desceu para 33% mas o número absoluto de analfabetos alçou-se a 18 milhões.O mesmo Censo de 1970 nos revela que entre os jovens de 14 anos de idade, 24,3%, o que equivale a uma quarta parte, não sabia ler e escrever. Esta juventude analfabeta era de 42% nas zonas rurais e de 10% na cidade. Finalmente, no último Censo, em 1980, a porcentagem subiu para 25,9% e o número absoluto elevou-se para 19 milhões. São esses os número censitários dos analfabetos adultos do Brasil. Eles nos estão a dizer que toda a zuaba do Mobral sobre a extinção do analfabetismo era outro milagre estatístico.Esses números e proporções tornam-se mais significativos quando comparados com outros desempenhos educacionais. Enquanto o Brasil de 1980 conta com 19 mlhões de analfabetos adultos e com a porcentagem de 26%, na Argentina essa porcentagem é de 6% em 1976 e, em Cuba, já em 1961, era de 3%. No caso de Cuba, pode-se explicar o êxito educacional pelo empenho que o socialismo põe na educação popular; mas no caso da Argentina e de tantos outros países da América Latina, a nossa inferioridade estatística reflete uma inferioridade efetiva no esforço por alfabetizar e na capacidade de alcançar esta meta elementar. Brasil - Censos Nacionais: analfabetos com 15 anos e mais

1950: 50,5% - 15 milhões
1970: 33,0% - 18 milhões
1960: 39,3% - 16 milhões
1980: 26,0% - 19 milhões
Analfabetismo na América Latina
Cuba 1961: 3%
Uruguai 1978: 10%
Argentina 1976: 6%
Costa Rica 1975: 11%

Mais expressivos ainda do que a medida censitária desse resíduo de letrados na população pelo funcionamento da escola são os dados abaixo referentes ao fluxo de alunos da 1ª à 4ª série. A escolaridade, com expressão da capacidade que o sistema tem de absorver, é incrivelmente baixa. Metade das nossas crianças não consegue nem saltar a barreira da primeira série para se matricular na segunda, e apenas 40% das crianças alcançam a quarta série, que corresponde àquele mínimo de domínio da escrita e da leitura com o qual uma pessoa está habilitada a operar, com eficácia, dentro de uma sociedade letrada.

1975 - 1ª série - 1000
1976 - 2ª série - 486
1977 - 3ª série - 464
1978 - 4ª série - 417

Examinando esses dados com mais atenção, podemos tirar outras conclusões. A principal delas é desvendar o engodo que se esconde atrás desses números. Ele começa a revelar-se quando se observa que quem passa da segunda para a terceira série progride mais ou menos bem daí por diante: 486 - 464 - 417. Com efeito, quem salta as duas primeiras séries - principais barreiras e verdadeiros depósitos de crianças condenadas à evasão - tem grandes possibilidades de concluir o 1º grau. Isso significa que as primeiras duas séries são as grandes peneiras que selecionam quem vai ser educado (48,6%) e quem vai ser rejeitado (51,4%), quem é escolarizável e quem não é. Para alcançarmos a necessária objetividade na apreciação da realidade educacional do Brasil, é conveniente fazer algumas comparações. Para isso se prestam bem os dados referentes ao fluxo da escolaridade em países latino-americanos. O México, que tem maior homogeneidade cultural e um grau semelhante ao nosso desenvolvimento econômico, alcança um desempenho educacional muito melhor, uma vez que promove à segunda série cerca de 70% dos alunos e leva à quarta série mais da metade. O Paraguai e a Bolívia, nações irmãs tanto ou mais pobres do que nós, vivem uma situação ainda mais difícil no que concerne à educação, porque lá a população não fala a língua da escola. No Paraguai se fala guarani; na Bolívia, o quíchua e o aimará; nos dois países, a escola ensina em espanhol. Apesar disso, a porcentagem de crianças que lá concluem as seis séries primárias é maior do que a nossa. Não nos iludamos pensando que os dados globais referentes ao Brasil como um todo sejam negados quando se focalizam as áreas mais ricas e desenvolvidas, incluindo as grandes cidades. Mesmo na cidade do Rio de Janeiro, considerada, sem sombra de dúvida, aquela em que houve historicamente, maior investimento na educação, e em que se construiu uma rede escolar frondosa e um professorado multitudinário, mesmo aqui o nosso desempenho educacional é menos do que medíocre. Na verdade, a educação que o Rio de Janeiro provê à sua população é de tão baixa qualidade como a que se ministra nas áreas mais pobres do país. A situação de São Paulo é semelhante, uma vez que, lá também, metade das crianças não está passando da primeira para a segunda série e que a progressão, daí por diante, é igualmente precária. Como se verifica, o mal é generalizado e constitui, sem dúvida, uma doença nacional: não fomos capazes, até hoje, de criar uma escola pública honesta, adaptada às necessidades da população brasileira.

Tamanho fracasso educacional não se explica, obviamente, pela falta de escolas - elas aí estão, numerosíssimas - nem por falta de escolaridade, uma vez que estão repletas de alunos, sobretudo na primeira série, que absorve quase metade da matrícula. Muitos fatores contribuem para estre fracasso, como procuraremos demonstrar a seguir. Só queremos adiantar agora que a razão causal verdadeira não reside em nenhuma prática pedagógica. Reside, isto sim, na atitude das classes dominantes brasileiras para com o nosso povo. Um fator importante do nosso baixo rendimento escolar reside na exigüidade do tempo de atendimento que damos à criança. Este ângulo da questão merece especial atenção. A criança das classes abandonadas que têm em casa quem estude com ela, algumas horas extras, enfrenta galhardamente esse regime escolar em que quase não se dá aulas. Ele só penaliza, de fato, a criança pobre oriunda de meios atrasados, porque ela só conta com a escola para aprender alguma coisa. Aqui está o fulcro da questão: nossa escola fracassa por seu caráter cruelmente elitista. Alguns educadores alienados, envoltos nas névoas da sua pedagogia pervertida, estão dispostos a firmar que o fracasso escolar da criança pobre se deve a deficiências que ela traz de casa. A escola não teria nada a ver com isso. Os professores enfrentariam, neste caso, uma situação carencial insuperável, em conseqüência da qual a maioria da população brasileira seria ineducável. A criança popular urbana, que vive em condições precárias, nas favelas ou nos bairros pobres da periferia, como em tantas outras regiões do Brasil, é essencialmente diferente da criança afortunada que vive nas áreas ricas. O pequeno favelado, comendo pouco e mal, cresce raquítico. Às vezes é até prejudicado por malformações, se a fome ocorre muito cedo ou se é demasiada. Sua fala é também peculiar e atravessada, aos ouvidos da professora. Toda a sua inteligência está voltada para a luta pela sobrevivência autônoma, em esforços nos quais alcança uma eficácia incomparável. A criança afortunada se desenvolve bem fisicamente, fala a língua da escola, é ágil no uso do lápis e na interpretação de símbolos gráficos e chega à escola altamente estimulada pelos pais, através de toda espécie de prêmios e gratificações, para aprender rapidamente. Uma e outra têm incapacidades específicas: o favelado, para competir na escola; o afortunado, para sobreviver solto na cidade. Ocorre, porém, que todos vão à escola e ali competem; mas o menino rico não tem, jamais, de lutar pelo sustento, nem de cuidar dos irmãos, e raramente cai na delinqüência. Nessas circunstâncias, um desempenho natural e inevitável é valorizado e premiado pela escola; o outro é severamente punido.Frente a esses fatos, precisamos começar a reconhecer e proclamar que temos uma escola primária não só seletiva, mas elitista. Com efeito, ela recebe as crianças populares massivamente, mas, tratando-as como se fossem iguais às oriundas dos setores privilegiados, assim as peneira e exclui da escola. Vale dizer que nosso pendor elitista começa na escola primária. Ela, de fato, se estrutura para educar as classes abonadas e não o povo, que constitui a imensa maioria de sua clientela. Como negar, diante destas evidencias, que temos uma escola desonesta, uma escola inadequada? O fato irretorquível é que ela funciona, tomando como sua clientela própria, normal, uma minoria. Ela é, pois, uma escola para os 20%, não é uma escola para os 80% da população. Uma escola desvairada que vê como desempenho normal, desejável e até exigível de toda criança, o rendimento "anormal" da minoria de alunos, que têm quem estude com eles em casa mais algumas horas, e que vivem com famílias em que alguns membros já têm curso primário completo. Como na imensa maioria das famílias brasileiras não há esta pessoa, desocupada e pronta para tomar conta das crianças e estudar com elas, a escola não tem o direito de esperar isto. Funcionando na base dessa falsa expectativa, ela é uma escola hostil à sua clientela verdadeira, por que, sendo uma escola pública, a sua tarefa é educar as crianças brasileiras, a partir da condição em que elas se encontrem. Uma degradação tão grande e tão perversa do sistema educacional só se explica por uma deformação da própria sociedade. Nosso desigualitarismo cruel, que conduz ao descaso pelas necessidades do povo, leva à incúria também no campo da educação, permitindo que viceje esse monstro que é uma escola pública antipopular.Suas causas, a nosso juízo, residem nas camadas mais profundas do nosso ser nacional e dizem respeito ao caráter mesmo de nossa sociedade. Tememos, até, que nós brasileiros, pela sociedade que somo e pela forma como ela está organizada, estejamos estruturados de maneira pervertida. Somos uma sociedade deformada que carrega dentro de si cicatrizes e malformações históricas profundas que teremos muitas dificuldades em superar. Dificuldades tanto maiores quanto mais tardemos em reconhece-las e em denunciá-las.

Estamos, como se vê, diante de um fenômeno que precisa ser explicado: como é que o Brasil consegue ser tão ruim em educação? Quem quisesse organizar um país com o objetivo expresso de alcançar, com tantos professores e com tantas escolas, um resultado tão medíocre, teria que fazer um grande esforço. Um país monolíngüe como o nosso, em que não há nenhuma barreira de ordem étnica ou cultural, conseguir ser tão medíocre no seu desempenho educacional é realizar, sem dúvida, uma façanha incomparável. Ainda que nada invejável. Um certo objetivismo sociológico dá explicações copiosas, expressas em numerosas teses doutorais sobre as causas deste fracasso, tratando-o sempre como natural e até necessário. Notoriamente, a função social desse objetivismo é nos consolar, demonstrando que tudo isto decorre dos processos de urbanização e de industrialização. Processos que, transladando a população trabalhadora do campo para a cidade - por força do próprio progresso que afinal nos alcança - perturba as instituições sociais, inclusive as educacionais, compelindo-as a se transfigurarem tão precariamente. Advertem, nesta altura, que o problema é ainda mais complicado porque à urbanização caótica se seguiu um processo de industrialização intensiva que, exigindo mão-de-obra moderna e disciplinada, reclamaria uma nova escola ideológica, capacitada a domesticar os camponeses urbanizados e proletarizados, através de uma indoutrinação que os convença de que são pobres porque são burros.Essas seriam as causas do desastre para os liberais. Desastre, aliás autocorrigível, dizem eles, uma vez que a modernização das cidades brasileiras, criando pólos de progresso, iria dissolvendo os bolsões de atraso, até que a civilização industrial a todos homogeneizasse, num assalariado capitalista moderno. Alguns sociólogos esquerdistas aderem a estas teses acrescentando triunfalmente que só a revolução socialista dará aos brasileiros a escola primária que a revolução burguesa deu por toda parte. Toda essa literatura não ensina nada. No máximo fotografa algumas situações sem explica-las. Para tanto, precisamos fazer uma crítica história da razão sociológica.Seria verdade que nosso desastre educacional se deve a tais processos, se o ensino houvesse sido bom antes da urbanização caótica e da industrialização intensiva. Se ao menos ele fosse comparável, ao que fizeram em matéria de educação, outros países latino-americanos após a independência, como a Argentina, o Uruguai e o Chile. Como nada disso ocorreu entre nós, cevemos concluir que nosso descalabro educacional tem causas mais antigas. Vem da Colônia que nunca quis alfabetizar ninguém, ou só quis alfabetizar uns poucos homens para o exercício de funções governamentais. Vem do Império que, por igual, nunca se propôs educar o povo. A República não foi muito mais generosa e nos trouxe à situação atual de calamidade na educação.Nós propomos, como explicação, que estamos diante de um caso grave de deficiência intrínseca da sociedade brasileira. Nossa incapacidade de educar a população, como a de alimenta-la, se deve ao próprio caráter da sociedade nacional. Somos uma sociedade enferma de desigualdade, enferma de descaso por sua população. Assim é, porque aos olhos das nossas classes dominantes, antigas e modernas, o povo é o que há de mais reles. Seu destino e suas aspirações não lhes interessa, porque o povo, a gente comum, os trabalhadores, são tidos como uma merda força de trabalho, destinada a ser desgastada na produção. É preciso ter coragem de ver este fato porque só a partir dele, podemos romper nossa condenação ao atraso e à pobreza, decorrentes de um subdesenvolvimento de caráter autoperpetuante.Nosso atraso educacional é uma seqüela do escravismo. Nós fomos o último país do mundo a acabar com a escravidão, e este fato histórico, constitutivo de nossa sociedade, tem um preço que ainda estamos pagando. Com efeito, o escravismo animaliza, brutaliza o escravo, arrancado de seu povo para servir no cativeiro, como um bem semovente do senhor. De alguma forma, porém, ele dignifica o escravo porque o condena a lutar pela liberdade. Desde o primeiro dia, o negro enfrente a tarefa tremenda de reconstruir-se como ser cultural, aprendendo a falar a língua do senhor, adaptando-se às formas de sobrevivência na terra nova. Ao mesmo tempo, se rebela contra o cativeiro, fugindo e combatendo, assim que alcança um mínimo de compreensão recíproca e de capacidade de se situar no mundo novo em que se encontra.Este é o lado do escravo, na escravidão. O lado do senhor é o exercício do papel de castigador do escravo, de explorador, condenado ao opróbrio, porque seu combate é para eternizar o cativeiro. Uma classe dominante feita de senhores de escravos ou de descendentes deles é uma classe enferma que carrega em si, no mais recôndito de seus sentimentos, a herança hedionda dos gastadores de gente. Para este patronato, o negro escravo e, por extensão, o preto forro e ainda todo o povo, é uma mera força de trabalho, é uma massa energética desgastável, um carvão humano que se queima na produção.Alguém poderia argumentar que estes ancestrais estão muito longe de nós. São nossos avós, é verdade, distantes de nós, é certo; mas nem tanto que não sejamos dignos netos deles, guardando em nossos genes e em nosso espírito, sua herança tão legítima como hedionda.O fracasso brasileiro na educação - nossa incapacidade de criar uma boa escola pública generalizável a todos, funcionando com um mínimo de eficácia - é paralelo à nossa incapacidade de organizar a economia para que todos trabalhem e comam. Só falta acrescentar ou concluir, que esta incapacidade é, também, uma capacidade. É o talento espantosamente coerente de uma classe dominante deformada, que condena seu povo ao atraso e à penúria para manter intocada por séculos, a continuidade de sua dominação hegemônica e as fontes de seu enriquecimento e dissipação. Uma dominação infecunda, que nos põe na retaguarda das nações e nos afunda no retrocesso histórico, porque isso é o que corresponde aos interesses imediatistas da nossa classe dominante. Quem duvidar, cuidando que a culpa é do capitalismo, veja o que os capitalistas fizeram na América do Norte. Às vezes penso que nós somos o que seriam os Estados Unidos se o Sul vencesse a Guerra de Secessão. Aqui a escravidão venceu, e mesmo depois de estirpada pela lei, foram os líderes do Império Escravista que passaram a reger a República.A esta luz se vêem como façanhas elitistas o que são fracassos sociais. Assim se entende que tenhamos um vastíssimo sistema educacional que não educa, bem como portentosos serviços de assistência e previdência social que funcionam de mentira. Em resumo, que em tudo que serve ao povo, sejamos campeões de ineficácia.