10.04.2006
Aviso sério a Lula - El Pais
Os brasileiros foram muito menos clementes nas urnas com Lula do que previam todas as pesquisas. O presidente será obrigado a participar de um segundo turno eleitoral em 29 de outubro, para disputar a chefia do Estado nos próximos quatro anos com Geraldo Alckmin, o agora eufórico ex-governador de São Paulo.A sucessão de escândalos de corrupção atribuídos ao governante Partido dos Trabalhadores, criado por Lula, passou a fatura ao primeiro dirigente esquerdista do Brasil desde 1980.Sua vantagem sobre o social-democrata Alckmin se reduziu finalmente a 7 pontos, menos da metade do que se previa. Nem o carisma nem a política econômica acertada de Lula durante seu mandato, com inflação contida,emprego em alta e um claro aumento das ajudas aos mais pobres, foramsuficientes para ultrapassar a marca de 50% dos votos e atenuar a sensação dos brasileiros de que a deterioração da vida política foi longe demais.Como não há diferenças programáticas fundamentais entre os dois candidatos, será a credibilidade de um e de outro que finalmente vai dirimir a disputa pela presidência do gigante ibero-americano.É bom que seja assim. A sensação acumulada no último ano e meio de que valia tudo no Brasil, desde que não se provasse uma conexão direta do favorito Lula com a corrupção, dissipou-se bruscamente no último domingo. As urnas refletiram uma visão mais exigente da ética política.Lula, que nos últimos meses viu-se obrigado a se livrar de um punhado de íntimos colaboradores no governo ou no partido, envolvidos no jogo sujo, pretendeu estar sempre à margem dos acontecimentos. Mas suas explicações careceram de convicção, e assim ele acaba de receber um sério aviso.O presidente vai ter de mudar muitas coisas em sua estratégia para conseguir a reeleição este mês, algo que agora está distante de um axioma. A votação mostrou um Brasil profundamente dividido, à diferença de quatro anos atrás.Lula ganhou com folga nas regiões pobres do norte e do nordeste, mas perdeu nos estados mais industrializados e prósperos do sul. Quando foi eleito em 2002 à chefia do Estado, prometeu limpar a política do país, e em vez disso o ex-sindicalista presidiu sobre um rosário de escândalos protagonizados por um partido, o seu, que outrora se considerou guardião da virtude. Para Lula parece chegado o momento de pôr mãos à obra, se seus concidadãos lhe derem uma nova oportunidade.
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